SEBEMGE - SEMINÁRIO BATISTA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

APOSTILA DO CURSO DE ANÁLISE DO VELHO TESTAMENTO

Prof. Anísio Renato de Andrade

 

ESTUDO DO LIVRO DE GÊNESIS

 

 

INTRODUÇÃO

 

O nome hebraico do primeiro livro da Bíblia é “Bereshith”, palavra que introduz o capítulo 1 e significa “no princípio”. Quando foi produzida a Septuaginta, tradução do Velho Testamento para o grego, o livro recebeu o nome de  “Gênesis”, que significa “origem”. 

O Gênesis apresenta a criação e o Criador. Descreve o início do universo, da humanidade, do pecado e da execução do plano divino de salvação. Sua existência é fundamental para a compreensão dos demais livros da Bíblia. O Gênesis apresenta respostas para uma série de perguntas que, de outro modo, não seriam respondidas.  O homem sempre quis saber sobre sua origem, as causas de sua condição atual, etc.  Tais questões são respondidas pelo Gênesis. Ali estão as causas fundamentais de tudo o que aconteceu na história humana. Contudo, nem todos aceitam seu conteúdo como verdade e partem em busca de outras explicações para a origem da vida. É o caso, por exemplo, daqueles que defendem a teoria da evolução.

O Gênesis apresenta o início da saga humana, cujo desfecho se dará no Apocalipse.  Entre ambos os livros, encontra-se a jornada humana rumo às profundezas abissais do pecado e a missão messiânica para buscar o homem e conduzi-lo de volta ao seu estado original no paraíso de Deus.

Os primeiros 11 capítulos de Gênesis nos falam sobre o prelúdio da história universal. A partir do capítulo 12 temos o início da história de Israel, o povo escolhido para trazer ao mundo o Messias.

 

 

ESBOÇO DO LIVRO

 

1.1 a 2.3 – Criação do universo, da terra e do homem.

2.4-25 – Detalhamento da criação do homem e da mulher.

3.1-24 – O pecado do homem e sua expulsão do Éden.

4.1-26 – Caim e Abel. O primeiro homicídio. A descendência de Caim.

5.1-32 – A genealogia de Adão até Noé. Enoque andou com Deus.

6.1-22 – A corrupção da humanidade. O anúncio do Dilúvio.

7.1-24 – O Dilúvio.

8.1-22 – Noé sai da arca.

9.1-19 – Aliança de Deus com Noé.

9.20-29 – A embriaguez de Noé e o pecado de Cão.

10.1-32 – A genealogia de Noé. 

11.1-9 – A torre de Babel.

11.10-32 – A genealogia de Sem até Abrão.

12.1-20 – O chamado de Abrão. Sua descida ao Egito.

13.1-18 – A separação de Abrão e Ló.

14.1-17 – A guerra dos reis.

14.18-24 – O encontro de Abrão e Melquisedeque.

15.1-20 – A aliança de Deus com Abrão.

16.1-16 – O nascimento de Ismael.

17.1-27– A circuncisão - confirmação da Aliança.  Deus muda o nome de Abrão e Sarai.

18.1-16 – Três seres celestiais visitam Abraão.

18.17-33 – O anúncio da destruição de Sodoma e Gomorra.

19.1-38 – A destruição de Sodoma e Gomorra.

20.1-18 – Abraão habita em Gerar e nega que Sara seja sua esposa.

21.1-8 – O nascimento de Isaque.

21.9-21 – A expulsão de Hagar e Ismael.

21.22-34 – A aliança entre Abraão e Abimeleque.

22.1-24 – A prova de Abraão – sacrificar Isaque.

23.1-20 – A morte de Sara.

24.1-67 – A união de Isaque e Rebeca.

25.1-11 – A morte de Abraão.

25.12-18 – A genealogia de Ismael.

25.19-25 – O nascimento de Esaú e Jacó.

25.26-34 – Esaú vende sua primogenitura.

26.1-11 – Isaque habita em Gerar e nega que Rebeca seja sua esposa.

26.12-25 – As contendas de Isaque pelos poços.

26.26-25 – A aliança entre Isaque e Abimeleque.

27.1-46 – Jacó é abençoado no lugar de Esaú.

28.1-22 – A viagem de Jacó para Padã-Arã e o sonho da escada para o céu.

29.1-14 – Jacó se estabelece na casa de Labão.

29.15-31 – Jacó se casa com Lia e Raquel.

29.32 a 30.24 – O nascimento de onze filhos de Jacó.

30.25-43 – A prosperidade de Jacó em Padã-Arã.

31.1-55 – Jacó foge de Labão.

32.1-32 – Jacó vai ao encontro de Esaú e luta com Deus.

33.1-20 – Jacó encontra-se com Esaú.

34.1-31 – O estupro de Diná e a vingança de Simeão e Levi.

35.1-29 – Jacó volta a Betel. O nascimento de Benjamim.  A morte de Isaque.

36.1-43 – A genealogia de Esaú.

37.1-11 – Os sonhos de José e a inveja de seus irmãos.

37.12-36 – José é vendido com escravo.

38.1-30 – Judá e Tamar.

39.1-23 – José na casa de Potifar.

40.1-23 – José na prisão. A interpretação dos sonhos do copeiro e do padeiro.

41.1-57 – José interpreta os sonhos de Faraó e torna-se governador do Egito.

42.1-38 – Os irmãos de José descem ao Egito.

43.1-34 – A segunda viagem dos irmãos de José ao Egito.

44.1-34 – A taça de José no saco de Benjamim.

45.1-28 – José se revela aos seus irmãos.

46.1-34 – Viagem de Jacó ao Egito.

47.1-12 – Jacó e sua família se estabelecem no Egito.

47.13-31- José e a venda de alimentos.

48.1-22 – Jacó adoece e abençoa José e seus filhos.

49.1-33 – Jacó abençoa seus filhos e morre.

50.1-14 – O sepultamento de Jacó.

50.15-26 – José anima seus irmãos e morre.

 

 

AUTORIA – Moisés –  Sabendo-se que o autor viveu muito tempo depois dos fatos narrados em Gênesis,  é natural concluirmos que seu trabalho de composição foi a reunião de informações oriundas de diversas fontes, tanto orais quanto escritas. O Novo Testamento testifica que os livros da lei, os cinco primeiros da Bíblia, foram escritos por Moisés.

 

O autor nada diz sobre si mesmo. Nunca se expressa na primeira pessoa nem participa dos fatos. Não manifesta sua opinião nem demonstra suas emoções. É um autêntico historiador. É imparcial, mostrando erros e acertos dos personagens. Contudo, são personagens escolhidos, em função do objetivo da obra.  O autor tem direção e propósito bem definido: apresentar Israel e as raízes do judaísmo. Em que época ele escreve? Verifique pelos anacronismos.  O texto tem os patriarcas como personagens principais. Eles são colocados em evidência e se encontram com grandes reis da época, diante dos quais são reconhecidos com servos de Deus e pessoas dignas de honra e temor. Alguns reis tomam a iniciativa de fazerem aliança com eles, indicando assim algum tipo de superioridade do patriarca. Mesmo errados em algumas situações, os patriarcas se saíam bem no final por causa da bênção e da proteção divina (Gn.12.16-20). Foi o caso, por exemplo dos irmãos de José, que o venderam para o Egito, mas isso lhes foi benéfico no final. Vemos nisso a soberania divina, fazendo com que tudo contribuísse com o seu plano superior de redenção da humanidade.  

 

 

 

PALAVRA CHAVE - Princípio.

 

CLASSIFICAÇÃO – Quanto ao agrupamento dos livros da bíblia, o Gênesis é considerado como parte da lei, sendo o primeiro livro da Torá ou Pentateuco.  Quanto ao seu conteúdo, trata-se de um livro histórico.  O autor segue a ordem cronológica em quase todo o livro. Exceções são os trechos das genealogias e o detalhamento da criação do homem no capítulo 2.

 

 

GN.1.1 A 2.3 – CRIAÇÃO DO UNIVERSO, DA TERRA E DO HOMEM.

 

 

CRIAÇÃO X  EVOLUÇÃO  - argumentos do livro “Enigma das Origens”

               

               

O que se crê sobre a origem do universo determina o que se crê sobre o modo de vida e o destino.

É impossível provar cientificamente a criação ou a evolução. Seria preciso repetição experimental.

Ambos os sistemas dependem da fé. É errado dizer que o criacionismo é religioso e o evolucionismo é científico. O criacionismo está muito mais de acordo com o conhecimento científico. 

O evolucionista crê em uma matéria pré-existente assim como cremos no Deus pré-existente.

Evolucionismo é uma teoria e não uma ciência.

Os seguintes questionamentos contra a evolução são indícios de criação:

Não há formas intermediárias entre as espécies. Não foram encontradas nos fósseis. Na época de Darwin esperavam encontrar um dia. Até hoje não encontraram. 

Os evolucionistas colocam em fila seres que existem paralelamente.

Semelhanças e diferenças entre gatos e cães – o evolucionista vê sinais de transformação de um em outro. O criacionista vê o projeto de um Criador comum que projetou estruturas semelhantes para funções semelhantes e estruturas diferentes para funções diferentes.

Cruzamento de espécies produzem animais estéreis – jumento + égua  (ou cavalo + jumenta) = mula.

Mutações não provam a evolução. Deus capacitou os organismos a se adaptarem às condições ambientais. Possibilitou também a variedade racial, mas uma nova raça não é uma nova espécie.

Para negar que a criação seja um fato, é preciso negar a existência de Deus. Só pode dizer que Deus não existe uma pessoa que possa ter conhecimento universal e estar presente em todos os lugares para constatar a ausência de Deus em todos eles. Então, só “um Deus” pode verificar e afirmar que Deus não existe.  

Criacionismo e Evolucionismo são conjuntos de conceitos não comprováveis cientificamente. Porém, são comparáveis com a realidade, de modo que se pode verificar qual dos dois conjuntos é mais coerente com ela.

Cada conjunto conceitual tem seus pressupostos e faz suas previsões. 

O evolucionismo ensina que toda a realidade é um processo único de auto-transformação. A matéria se desenvolve, para melhor, sem a intervenção de qualquer força imaterial. Ensinam, portanto, que o acaso, operando sem controle inteligente e sem propósito, produz o progresso, a inteligência e o aperfeiçoamento constante.

O criacionismo ensina que tudo foi feito no princípio e nada mais está sendo criado. Nada está se aperfeiçoando, mas se corrompendo por causa do pecado.

 

               

ASSUNTO

PREVISÃO EVOLUCIONISTA

PREVISÃO CRIACIONISTA

Galáxias

modificação constante

continuidade do estado original

Estrelas

um tipo se transforma em outro

não existe transformação

Corpos celestes

se aperfeiçoando

se deteriorando

Surgimento da vida

a partir da não-vida

a partir da vida.

Tipos de rochas

Diferentes de uma era para outra

Iguais em todas as eras

Ordem dos organismos

Série contínua

Espécies paralelas

Novos tipos de vida

aparecem

não aparecem

Mutações

são benéficas

são prejudiciais

Seleção natural

processo criativo

processo conservativo

Registro fóssil

inúmeras transições

lacunas sistemáticas

Aparecimento do homem

a partir do macaco

sem ligação com o macaco.

Civilização

lenta e gradual

contemporânea ao homem

 

A previsões criacionistas, mostradas no quadro anterior,  estão mais coerentes com a realidade que vemos ao nosso redor.

O evolucionista se esforça para demonstrar suas teses. O criacionista apela simplesmente para a observação da realidade.

O evolucionista acredita que as mutações são benéficas. Porém, nenhum deles estimula o derrame de material radioativo na natureza para estimular mutações. Notamos então uma contradição entre a teoria e a prática.

O relógio é prova da existência do relojoeiro. A natureza complexa do corpo humano nos leva a concluir que houve planejamento e que, portanto, existe uma inteligência por trás disso. A beleza e o padrão existente na natureza nos levam a concluir que existe um pensamento único que planejou tudo.

O universo funciona sobre um sistema matemático perfeito.  O cérebro humano é a estrutura mais complexa que já se descobriu, possuindo algo próximo de 10 milhões de células.

 

A evolução é anti-ciência -  Se tudo continua evoluindo, inclusive as leis naturais, então todo o conhecimento científico pode se perder a qualquer momento por não mais corresponder à realidade. Se, porém, o criacionismo for verdadeiro, então a ciência pode estar segura da imutabilidade das leis naturais.

Lei natural – causa e efeito – nenhum efeito pode ser maior que a sua causa.  Como um pontinho de matéria sem vida e sem inteligência poderia dar origem à vida e à inteligência, à moral, ao amor, ao espiritual, à consciência, à personalidade.  A figura de Deus combina muito mais com a lei de causa e efeito.

 

 

O CARÁTER DE DEUS

 

O primeiro personagem do Gênesis é o próprio Deus. No primeiro capítulo, começamos a conhecer seu caráter através de sua obra criadora.  A Bíblia não traz a intenção de provar a existência de Deus. Seus autores partiram de um pressuposto absoluto, que é a fé. Não tentaram convencer o leitor, mas ensiná-lo a respeito de Deus.

Lendo o relato da criação, encontramos Deus como um ser:

Eterno – pois não se fala sobre o seu início.

Sábio – pois criou tudo da melhor maneira.

Todo-poderoso – possuindo o poder de criar todas as coisas.

Criador – Ele colocou em ação o poder de criar.

Organizado – Ele criou tudo numa ordem coerente, de modo que as primeiras criaturas preparavam o ambiente para as seguintes.

Objetivo – todas as criaturas foram feitas com propósito definido.

Bondoso – tudo o que ele fez era bom.

Abençoador – Preparou um paraíso para o homem.

Soberano – O universo se move sob suas ordens (1.3,6,9,11,14,22,24,28).

Um Deus plural – Em alguns momentos da criação, Deus usa verbos no plural (Gn.1.26; 11.7). Entendemos nisso a presença do Pai, do Filho e do Espírito Santo (1.2). Em outros versículos, o nome de Deus é plural (Elohim), mas o verbo está no singular (Gn.1.1).

Deus único – O Gênesis não apresenta vários deuses, cada um criando uma parte do universo. Um único Deus criou todas as coisas.

Senhor – Por ter criado todas as coisas, ele é o dono de todas elas, inclusive de todos os seres humanos. Somos seus por direito.

Legislador – No capítulo 1, vemos a determinação de diversas leis naturais, que continuam em vigor até hoje. Por exemplo, no versículo 11, está determinado que as ervas produzam sementes e que nelas estejam as características genéticas da planta.  Deus determinou o lugar de cada coisa ou ser criado: a terra seca, o mar, os animais, os peixes, os astros, etc.  Esta ordem do universo, seu equilíbrio e funcionamento, são algumas das  inúmeras evidências da existência de Deus.

Os capítulos 1 e 2 refutam o politeísmo, o panteísmo e o deísmo. Vemos um só Deus, distinto da criação, e  que se importa com os seres criados, principalmente com o homem.

 

A TEORIA DO CAOS

 

Alguns defendem a teoria de que entre o primeiro e o segundo versículos do capítulo 1, existe um intervalo de tempo indefinido, mas, provavelmente, muito longo. Nesse tempo, Satanás teria pecado no céu e sido lançado na terra, causando-lhe grande destruição. Por esta causa, a terra ficou sem forma e vazia. O texto original do versículo 2 admite também a seguinte tradução: “A terra veio a ser sem forma e vazia”. Um ponto de apoio apresentado para esta teoria é o versículo de Isaías que diz que Deus não criou a terra vazia (Is.45.18).  Uma dificuldade para os defensores desta teoria é explicar como pode ter ocorrido morte no mundo antes do pecado humano. Isto é bastante improvável, de acordo com Rm.5.17.

 

O PODER DA PALAVRA

 

A criação foi feita através do poder da palavra de Deus, mediante a ação do Espírito Santo, que pairava sobre a face das águas. Como disse o escritor aos Hebreus: “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados, de maneira que o visível não foi feito do que é aparente” (Hb.11.3). Na medida em que suas ordens eram proferidas, suas obras surgiam. Disse Deus: “Haja luz, e houve luz”.

No Novo Testamento, temos também um exemplo desse poder. A palavra de Deus chegou até Maria e nela, pela ação do Espírito Santo, realizou a concepção de Jesus. Isto aconteceu porque Maria recebeu, de bom grado, a vontade de Deus, dizendo:  “Cumpra-se em mim conforme a tua palavra.” (Lc.1.38).

Hoje, Deus ainda cria por meio da sua palavra.  Ela faz gerar em nós o seu propósito, quando a recebemos com fé e obediência (Hb.4.2). De outro modo, ela servirá apenas para a nossa própria condenação (João 12.48).

Nossas palavras também podem ter poder criativo ou destrutivo. “A morte e a vida estão no poder da língua.” (Pv.18.21). Por isso, devemos ser cuidadosos com o nosso falar. Os danos ou benefícios das palavras podem atingir muitas pessoas, principalmente aquele que as profere.

 

 

ALEGORIA DO CAOS

 

Muitas vidas estão como a terra do segundo versículo, sem forma e vazia.  Foram criados por Deus mas não tem nenhum compromisso com ele. Estão distantes, indiferentes, querendo viver independentes de Deus. Desta forma, nada de bom será produzido. O cenário é de trevas sobre a face do abismo. Se o abismo está coberto pelas trevas, existe uma situação de perigo oculto. Esta é a condição de todos os que vivem sem Deus. Existe sempre o risco de uma destruição repentina.

Quando Deus entra na vida de alguém, ele começa a transformar a realidade desta pessoa. Deus é luz. Um dos significados de “luz”  é conhecimento.  Permita que o conhecimento de Deus comece a transformar sua vida. Aos poucos, dia após dia, ele criará algo novo. Tudo vai chegando ao seu devido lugar, e o resultado será uma vida de comunhão com o Senhor. Contudo, o risco continua existindo. No Jardim do Éden estava a Serpente, Satanás. Por isso, a vigilância deve ser algo constante na vida daqueles que já conhecem o Senhor.

 

 

A AUTORIDADE DO HOMEM

 

 

Depois de criar todas as coisas, Deus fez o homem e o constituiu como autoridade sobre a criação (Gn.1.26). O ser humano deveria dominar tudo o que existe sobre a terra. Contudo, esta autoridade só prevaleceria, enquanto Adão estivesse ligado à fonte do poder, que é Deus. A partir do momento em que pecou, Adão deixou de dominar.  Por isso, Satanás se tornou o “príncipe deste mundo” (João 14.30; Lc.4.5-6), e, desde então, “o mundo jaz no maligno” (I João 5.19), fazendo com que toda a natureza esteja prejudicada pelos efeitos devastadores do pecado (Rm.8.20).

A ordem natural das coisas seria: Adão e Eva seriam autoridade sobre os animais. Porém, no capítulo 3, Eva se deixou dominar pela serpente. Ocorreu então uma inversão da ordem e, por conseqüência, o caos moral e espiritual se instalou. Naquele mesmo capítulo, Deus estabeleceu a autoridade do homem sobre a sua mulher. Daí em diante, o homem não dominaria naturalmente sobre os animais nem sobre os poderes demoníacos. Deus disse à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua semente e o seu descendente. Ele te  ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn.3.15). O homem tornou-se presa dos animais e vítima das forças naturais e espirituais.  O ambiente se tornou hostil. A vida do homem passou a ser uma luta para conseguir a sobrevivência e resgatar, em alguma medida, o domínio perdido.

Mais adiante, no capítulo 6, está a história de Noé. Ao colocar e controlar os animais na arca, ele demonstrou que o domínio ainda era possível para aqueles que se colocassem em obediência debaixo da autoridade divina.

No Novo Testamento, Jesus veio resgatar a autoridade que o homem havia perdido. Na cruz isto foi consumado e, ao ressuscitar, Cristo recebeu toda a autoridade nos céus e na terra (Mt.28.18). Ele, o último Adão (I Cor.15.45), desfez o erro do primeiro homem. A nova Eva é a igreja. Está novamente estabelecida a ordem divina de autoridade. Vivendo esta nova realidade, todo cristão, como parte da igreja, está investido de autoridade sobre serpentes, escorpiões e todo poder do mal e nada lhe fará nenhum dano (Lc.10.17-19; Mc.16.17-18; At.28-3-6).

Entretanto, da mesma forma como a serpente enganou Eva, corremos risco de sermos enganados pelo Diabo, caindo em suas armadilhas e perdendo nossa autoridade (II Cor.11.3). 

 

 

GN.2.4-25 – DETALHAMENTO DA CRIAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER.

 

 

A TEORIA DAS FONTES

 

Alguns eruditos sugerem que a partir de Gênesis 2.4,  temos outro relato da criação.  O texto que antecede esta parte, seria de uma origem e o que começa em 2.4 seria de outra. A primeira fonte chamada de “Eloísta”, por se referir a Deus pelo nome “Elohim”, conforme se lê na bíblia hebraica. O texto seguinte foi chamado de “Javista”, por se utilizar do nome “Javé” ou “Iavé”.  Esta teoria apóia a argumentação de que Moisés teria reunido fragmentos escritos sobre a criação. De qualquer forma, nada disso invalida ou lança dúvida sobre o texto bíblico.

Ambos os textos se completam. No capítulo 1, a criação do homem já tinha sido narrada. O capítulo 2, volta a este assunto, nos fornecendo detalhes da forma como Deus criou o homem e a mulher, e como foi a relação de Deus com o ser humano antes do pecado.

 

 

ANACRONISMO

 

A Assíria é mencionada no capítulo 2, versículo 14,  num contexto em que ainda não existia nenhuma nação sobre a terra.  O leitor inadvertido pode imaginar tratar-se de um erro. Na realidade, é um anacronismo, isto é, uma citação histórica fora de época. No tempo do autor, provavelmente o próprio Moisés, a Assíria já existia e seu território estava próximo ao local onde foi o Jardim do Éden.  Isto é então citado no capítulo 2, como uma informação antecipada.  O mesmo ocorre no capítulo 10, quando já se fala de diferentes idiomas, sendo que a divisão das línguas só aconteceria no capítulo 11.  São “parênteses” que o autor abre em sua narrativa para inserir algumas informações que, embora deslocadas no tempo, são úteis para uma compreensão histórica mais ampla.  Nesses momentos, percebemos um autor que lança um olhar sobre um passado distante (6.4) e que, em alguns instantes, utiliza seu conhecimento presente para enriquecer a narrativa. Os textos genealógicos normalmente reúnem informações de épocas muito diferentes, quebrando a seqüência cronológica entre os capítulos do contexto. Muitos outros casos semelhantes ocorrem em Gênesis, conforme se pode observar em:

 

TEXTO

ASSUNTO

Gn.2.14

A Assíria é mencionada antes do seu tempo.

Gn.2.24

“Deixará o homem seu pai e sua mãe”. Adão não tinha pai e mãe.

Gn.10.14

Referência aos filisteus.

Gn.13.10

Antecipa a destruição de Sodoma e Gomorra.

Gn.14.2,8

Menciona Zoar, quando o nome da cidade era Belá.

Gn.14.3

Menciona o Mar Salgado quando o seu nome era Sidim.

Gn.14.7

Menciona Cades, quando o nome da cidade era En-Mispate.

Gn.14.17

Menciona o Vale do Rei quando seu nome era Vale de Savé.

 

 

O QUE ERA BOM E O QUE NÃO ERA.

 

Depois de criar todas as coisas, Deus viu que era bom (1.4, 10, 12, 18, 21, 25, 31). Em 2.18, porém, Deus viu algo que não era bom: a solidão do homem.  Isto nos mostra o quão importante é o relacionamento humano, o casamento, a família, o amor e o companheirismo (Cf. Ec.4.9-12).

 

 

O QUE DEUS NOS DÁ E O QUE ELE NOS PEDE (1.29; 2.16,17)

 

Deus colocou à disposição de Adão e Eva no Éden uma grande variedade de árvores frutíferas.  Entretanto,  ordenou que eles não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O que ele deu ao homem foi infinitamente mais do que aquilo que ele exigiu. Contudo, queremos até aquilo que não é nosso.  Afinal, tudo foi feito por ele e a ele pertence.  Provavelmente, o homem deixou de comer de muitos frutos que foram feitos para ele, mas fez questão de comer daquele que foi proibido.

Não coma todos os frutos. Existe uma “reserva divina”. Isto pode ser comparado com as ofertas que fazemos ou com a ajuda que damos aos necessitados. Na lei de Moisés vemos este princípio. Os ceifeiros deviam deixar para trás os “rabiscos”, que era um resto de colheita. Isto deveria ficar para o estrangeiro e o pobre. Contudo, a cobiça humana pode levá-lo a não abrir mão de coisa alguma e isto pode ser a causa da sua ruína.

Deus deu ao homem vontade própria, direito de escolha, muitas coisas para o seu deleite. Contudo, existe um limite. Em todas as áreas da nossa vida existem limites que precisam ser respeitados.  Precisamos começar respeitando o que é de Deus e, em seguida, o que é do próximo.  “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Não podemos querer tudo para nós mesmos, ou esperar uma liberdade absoluta, que nos permita ter tudo, usar tudo, como se cada um de nós fosse o centro do universo.

 

 

GN.3.1-24 – O PECADO DO HOMEM E SUA EXPULSÃO DO ÉDEN.

 

 

No capítulo 3, Satanás entra em cena. Como não havia nenhum ser humano disponível para ele, já que Adão e Eva ainda não tinham pecado, o inimigo usou a serpente, que foi o primeiro médium.  O Diabo faz propaganda enganosa a respeito do pecado. “Sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. Ele só mostra os benefícios aparentes, imediatos e temporários, ocultando os malefícios profundos, futuros e permanentes (Gn.3 e Mt.4).  Uma visão imediatista pode tornar o pecado algo muito interessante. Assim, por um prazer imediato, sacrifica-se o futuro. Foi o caso de Esaú, quando, por uma refeição, vendeu seu direito de primogenitura (Gn.25.29-34; Hb.12.16-17).

O conhecimento do bem e do mal poderia parecer algo desejável. Porém, o conhecimento do mal, no caso humano, significou a aceitação do mal, uma experiência profunda e amarga com o Maligno.

O homem não sabia a profundidade do abismo em que estava entrando.  Muitos estão buscando um conhecimento ainda mais profundo do mal. São aqueles que se dedicam ao ocultismo. Paradoxalmente, talvez imaginem que o mal seja bom. Mas tudo isso está ligado à concupiscência (Gn.3.6; I João 2.15-17; Tg.1.14-15), o desejo de ganhar mais e mais e mais, além de tudo aquilo que Deus já nos deu. O desejo, em certa medida, é legítimo, mas a cobiça pode levar o homem às profundezas do inferno. Como saber a diferença? A cobiça é o desejo pelo proibido, por aquilo que pertence ao próximo, ou pelo excesso desenfreado de posses materiais ou prazeres carnais.

Desejando mais do que era permitido, o homem perdeu até aquilo que Deus lhe tinha dado graciosamente. Quantos jovens perdem cedo suas vidas por quererem o prazer das drogas e da devassidão sexual. Perdem todo o prazer de uma vida pelo prazer de um momento. O pecado é uma forma de perder o que Deus nos deu, mas isto não é o pior. O pecado nos faz perder o próprio Deus e o prazer de estar em sua presença.  Muitas vezes, Deus até não nos toma o que nos deu. Nós mesmos destruímos tudo, como fez o filho pródigo com a herança paterna.

 

 

 

A ARTIMANHA DO INIMIGO

 

“Foi assim que Deus disse: não comereis de toda a árvore do jardim?”

 

O Diabo usou a própria palavra de Deus para levar o homem ao pecado.  Ele quer nos fazer pensar que tudo é proibido, que estamos presos pelas ordens de Deus. Assim, ele nos induz a pensar que possa existir liberdade fora dos padrões divinos.

Ainda hoje, o inimigo usa a palavra de Deus, como fez na tentação a Jesus (Mt.4).  Vemos nisso, uma fachada religiosa do Diabo. Ele parece trazer em seus lábios uma mensagem divina. Como disse Paulo, ele se transfigura em anjo de luz.  Contudo, existe uma pitada de veneno em suas palavras. Ele torce a palavra de Deus, adaptando-a aos seus próprios fins.   Muitas religiões utilizam a bíblia para justificar suas doutrinas malignas.  Desse modo,  uma quantidade infinita de heresias vão surgindo incessantemente sob o rótulo de “conhecimento do bem e do mal”. 

 

 

POR QUÊ HAVIA UMA ÁRVORE MALIGNA NO JARDIM?

 

Esta é uma das perguntas mais intrigantes que se pode fazer a respeito da bíblia e da criação.  Por quê o mal existe? Como ele surgiu? Para quê? Quem o fez?  Este assunto perturba aos estudiosos e teólogos de todos os tempos. Existe uma divisão entre os eruditos. Alguns afirmam que Deus criou o mal. Outros negam.  Sabemos que Deus não criou o pecado, mas permitiu que ele entrasse no mundo.  De qualquer forma, sabemos que, em última análise, Deus, em sua soberania, poderia impedir o pecado ou eliminá-lo por ocasião do seu surgimento.  Ele poderia ter aniquilado Satanás e seus anjos quando estes pecaram. Contudo, não o fez.  Portanto, ele tem algum propósito nisso.

Não temos a pretensão de responder satisfatoriamente a esta questão mas o nosso parecer é que Deus não destruiu o mal por ver que ele seria útil de alguma forma. Como poderia haver liberdade de escolha se o mal não fosse uma possibilidade concreta?  Deus poderia ter criado robôs, que o serviriam com perfeição eternamente. Contudo, que valor teria isso?  O valor do amor está na possibilidade de sua inexistência. Se somos livres para amar e amamos, isto é valioso. Se fôssemos programados para amar, isto não teria nenhum valor.

O questionamento sobre a origem do mal e o seu propósito pode render discussões sem fim. Contudo, não nos esqueçamos do mais importante: rejeitar o mal e escolher o bem (Is.1.16-17).

 

 

A FUGA DO HOMEM

 

 

O sentimento de culpa dominou o homem assim que o pecado foi cometido.  Ele passou a ter consciência de si mesmo, no sentido mais negativo que isso possa ter.  Olhou para si mesmo e viu que estava nu. Sentiu necessidade de se cobrir, de se esconder, de fugir. 

A santidade nos cobre e nos protege, mas o pecado nos deixa vulneráveis. A consciência nos manda fugir, esconder, negar o erro e tentar transferir a culpa para os outros.

Assim, Adão e Eva tentaram se esconder de Deus (3.8), como se isso fosse possível. Fizeram  vestes insuficientes para se cobrir  (3.7). Depois Adão tentou jogar a culpa sobre Eva e esta sobre a serpente  (3.12-14) que, não tendo a quem acusar, calou-se.

Mais tarde, quando Caim matou seu irmão, também sentiu esse impulso de fuga, e imaginou que podia se ausentar da presença de Deus (4.14). Muitos estão fugindo de Deus.  Evitam a igreja, a bíblia, o evangelho. Não fuja, pois o Senhor está em todos os lugares. Não adianta correr de Deus. Corra para Deus.

A consciência da própria nudez faz com que o homem faça roupas para si.  O ser humano tem consciência da  sua culpa, sua miséria e degradação.  Procura então criar religiões, filosofias, filantropias, e outros artifícios para apaziguar sua consciência.  Suas roupas podem até ser bonitas, mas não cobrem o pecado. Podemos estar cobertos por cultura, conhecimento, posições, títulos, fama e vanglória, mas nada disso limpa o nosso pecado nem nos justifica perante Deus.

Deus chamou o homem: “Adão, onde estás?” Ainda hoje ele chama o homem. Deus quer ter comunhão conosco. Quer nos perdoar e nos restaurar.

Ao invés de fugir, a bíblia nos exorta a nos aproximarmos de Deus (Hb.4.16),  com o rosto descoberto (II Cor.3.18),  sabendo que todas as coisas estão nuas e patentes diante de seus olhos (Hb.4.13).  Ao invés de encobrir nossos pecados ou tentar lançar a culpa sobre os outros, devemos reconhecer nossas falhas e confessá-las ao Senhor.

Após aquele momento de confronto de Adão e Eva com Deus, o Senhor tomou duas atitudes:  determinou o castigo pelo pecado e fez roupas para cobrir o homem (3.21).  Vemos aí sua justiça e sua misericórdia.  Como Pai, ele corrige mas também acolhe.   Para fazer roupas de peles, Deus precisou sacrificar um animal.  Este foi o primeiro sacrifício pelo pecado, simbolizando a futura morte de Jesus na cruz.

Com tudo isso, Adão e Eva ainda foram expulsos do Paraíso.  Mesmo que sejamos alvo da misericórdia divina,  as conseqüências do pecado são, normalmente, inevitáveis.

Por meio do sacrifício de Cristo, nossos pecados são cobertos de modo eficiente e definitivo, pois este é o método divino para nos perdoar e nos restaurar.  Jesus morreu para que o caminho de volta ao paraíso pudesse ser aberto. Novamente, pelos méritos de Cristo, poderemos ter acesso à árvore da vida (Ap.2.7).

 

 

MALDIÇÕES PELO PECADO  - Gn. 3.14-19; 4.11.

 

 

Maldição (mal+dicção) é falar mal contra alguém.  A palavra de Deus tem poder criativo.  Quando ele promete ou ordena um castigo, isto se chama “maldição”.  O castigo é então uma forma de mal criado por Deus.  Não se trata de algo pertencente ao Diabo, embora ele possa, por meio de uma maldição divina, ser autorizado a agir na vida de alguém.  Ele mesmo está debaixo da maldição divina.

“A maldição sem causa não virá” (Pv.26.2).  Acima de toda crendice ou superstição, toda maldição está, em sua origem, ligada ao pecado.  Ainda que alguém pronuncie uma maldição, ela só terá guarida na vida daquele que está vivendo em pecado.

A maldição proferida contra Adão atingiu diretamente a terra. Afinal, o homem foi feito da terra e é parte dela. Seu trabalho passou a ser penoso e doloroso.  A maldição de Eva foi a multiplicação de suas dores de parto e a sujeição ao seu marido.  Mesmo com a conversão, estas maldições permanecem. O Senhor nos resgatou da maldição da lei (Gálatas 3.13), mas Gênesis 3 não está no período da lei. 

 

 

PROMESSA DE SALVAÇÃO

 

Em Gênesis 3.15 está a primeira profecia messiânica.  Falando à serpente, Deus disse: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua semente e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Este texto fala de duas sementes, duas descendências: a descendência da mulher, por meio da qual nasceria Jesus, para esmagar a cabeça do inimigo; e a descendência da serpente, ou seja, os filhos do diabo.

A partir daí, a história bíblica apresenta estas duas genealogias que se desenvolvem paralelamente.  Temos sua representação simbólica no capítulo 4. Caim representando a semente maligna e Abel representando a semente bendita. Depois temos as descendências de Cão e Sem,  Ismael e Isaque, Jacó e Esaú, etc.  No Novo Testamento, João Batista se refere aos fariseus como “raça de víboras”. Estava ali “bem” representada a descendência da antiga serpente. Em todos as épocas temos filhos de Deus sendo perseguidos pelos filhos do Diabo, até chegarmos a Jesus e Judas Iscariotes.

Os filhos de Deus sofrem algum dano em algum momento. O diabo lhes fere o calcanhar. Afinal, esta é a única parte de contato entre ambos, pois o inimigo está debaixo dos nossos pés, tendo sua cabeça esmagada (Rm.16.20).

 

 

EXPULSOS DO JARDIM

 

 

Após o pecado, Adão e Eva foram expulsos do Éden.  Até então, não conheciam a palavra “perda”. Só sabiam receber as bênçãos de Deus. Agora, começariam a colher os resultados do pecado.  Quantas pessoas estão acostumadas à bondade divina e acabam abusando. Não sabem, ou vivem como se não soubessem, que Deus é justo e trará a retribuição pelo pecado.

Adão e Eva perderam a maravilhosa comunhão que tinham com Deus, perderam o acesso às árvores frutíferas do jardim, e principalmente à árvore da vida.  Deus colocou dois querubins e uma espada que impedia o retorno ao paraíso.  Vemos a ação de Deus contra o homem, mas não podemos nos esquecer de que a iniciativa de todo esse processo foi do próprio ser humano que agiu contra Deus. 

O caminho para o Éden foi bloqueado.  Não podemos pensar que as bênçãos de Deus estarão à nossa disposição por tempo indefinido ou na hora que desejarmos.  Não podemos nos dar ao luxo de perder as oportunidades que o Senhor nos dá, pois amanhã poderá ser tarde demais. Pode haver uma segunda chance, mas isto não é garantido. Se a recuperação da bênção não for impossível, certamente será muito difícil. Não podemos negociar nossos direitos espirituais, pois amanhã pode ser tarde para tentar recuperá-los. Foi o que aconteceu com Esaú. Vendeu seu direito de primogenitura e depois não teve como recuperá-lo, apesar de ter implorado com lágrimas (Heb.12.16-17).

Seguindo o relato bíblico, só no Apocalipse é que novamente se falaria a respeito da árvore da vida e da possibilidade de acesso a ela (Ap.2.7).  Quantos milhares de anos terão passado até que esse dia chegue!

Outro exemplo é a experiência do povo de Israel diante da terra prometida. Não creram na promessa de Deus e vacilaram diante dos gigantes. Por isso, perderam aquela oportunidade de tomar posse de Canaã e foram condenados a vagar pelo deserto durante 40 anos.

Não perca a oportunidade de servir a Deus hoje. Não desvalorize o que Deus oferece hoje.  Este é o tempo aceitável, o dia da salvação (II Cor.6.2).

 

 

ADÃO E EVA – HISTÓRIA OU LENDA?  SENTIDO LITERAL OU SIMBÓLICO?

 

 

A história de Adão e Eva é motivo de escárnio por parte daqueles que não aceitam a bíblia como palavra de Deus.  Tratam o relato como mito. Existem até alguns teólogos que consideram a narrativa como uma parábola, portadora de sentido simbólico apenas. Se assim fosse, o pecado e a maldição também seriam simbólicos. Contudo, sabemos que são reais. Além disso, vários autores bíblicos mencionam a história de Adão como literal (Jó 31.33; Salmo 62.9; Rm.5.14-17; I Cor.15.22; Jd.1.14).  Se negarmos a literalidade dessa história, estaremos lançando por terra as bases das doutrinas acerca do pecado e da salvação. 

As genealogias bíblicas ligam Adão à história humana e, particularmente, à genealogia de Jesus. Portanto, sua história é tão real quanto a história de Cristo (Gn.5.3; Lc.3.38). 

 

 

GN.4.1-26 – CAIM E ABEL. O PRIMEIRO HOMICÍDIO. A DESCENDÊNCIA DE CAIM.

 

Quando Eva deu à luz o seu filho Caim, disse: “Alcancei do Senhor um varão”.  Isto nos faz pensar que talvez Eva tivesse visto em Caim a possibilidade de cumprimento da promessa do “descendente” que esmagaria a cabeça da serpente.  De qualquer forma, a vida de Caim não representou nada de positivo para seus pais. Pelo contrário, trouxe-lhes grande amargura.

Em Caim e Abel temos o primeiro exemplo de religiosidade humana, entendida como um esforço para se alcançar a reconciliação com Deus.  Contudo, tal cenário religioso tornou-se o motivo de um assassinato. Vemos que as guerras religiosas, sempre presentes na história da humanidade, têm suas raízes na primeira família. Caim tomou atitudes para buscar a Deus, mas mostrou-se hostil com o seu próprio irmão. Esta é uma contradição que acontece também conosco. Se não cuidamos do nosso irmão, do nosso próximo, nossa religião e nossa espiritualidade tornam-se inúteis (I Tm.5.8; Tg.1.27; I João 4.20). No Novo Testamento, Jesus resume a lei no amor a Deus e ao próximo. Se não houver o segundo, o primeiro será bastante questionável. 

Caim e Abel trouxeram ofertas ao Senhor. Aparentemente, ambos eram pessoas boas e bem intencionadas. Assim, toda atividade religiosa pode causar uma impressão de espiritualidade, bondade e justiça. Contudo, a bíblia mostra que Deus avalia o ofertante antes de aceitar ou não a sua oferta: “Atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gn.4.4-5).  As práticas, costumes e rituais religiosos podem representar uma fachada que não corresponde ao conteúdo do coração. Isto ficou comprovado na vida de Caim e Abel. Depois do culto que realizaram, Abel se mostrou bom, mas Caim agiu de forma pecaminosa.  Nosso conhecimento de Deus e nossa comunhão com ele deve refletir-se em mudança de caráter. De outro modo, nossa religião é enganosa.  Examinando o livro de Levíticos, verificamos que as leis normatizavam não apenas os rituais religiosos, mas incluía diversos aspectos da vida diária do povo de Deus.

No capítulo 3 de Gênesis, lemos a respeito do primeiro pecado, que consistiu na busca do benefício pessoal além dos limites estabelecidos por Deus. A partir daí acontece a multiplicação do pecado, tanto em quantidade como em gravidade. As consequências e maldições também se multiplicam (4.11). No capítulo 4, temos egoísmo, inveja e crueldade, chegando ao ponto culminante do homicídio. Pouco depois, um homem, Lameque,  mata dois (4.23). Seu pecado foi duas vezes o de Caim, mas o seu castigo foi setenta vezes maior (4.24 – Versão Almeida Corrigida).  “Um abismo chama outro abismo.” (Salmo 42.7).

Na medida em que o pecado se multiplica, percebe-se um afastamento entre Deus e o homem. Mesmo após o crime cometido, Deus ainda falava diretamente com Caim. Depois, a separação entre o homem e Deus tornou-se tão grande que ele passou a falar apenas com algumas pessoas especiais e, muitas vezes, de forma indireta, por meio de sonhos.

Um ponto muito questionado na história de Caim é o seu casamento (4.17). Algumas pessoas perguntam: “Com quem Caim se casou, se a única mulher existente era sua mãe?”  A leitura do texto bíblico pode nos fazer pensar assim. Porém, uma análise um pouco mais profunda nos fará compreender que o relato não é exaustivo a ponto de nos apresentar todos os detalhes da história de Adão e seus filhos. Em Gênesis 5.5, lemos que Adão viveu novecentos e trinta anos. Não temos, nos quatro capítulos anteriores, a história completa de Adão, mas apenas alguns fatos considerados relevantes para o propósito do autor bíblico. A narrativa “salta” no tempo e omite personagens irrelevantes. Isto acontece em toda a bíblia. De outro modo, não haveria limite para a extensão das Sagradas Escrituras.

Portanto, Adão e Eva devem ter tido muitos filhos e filhas antes de Caim e Abel. Quando Caim matou seu irmão, já existiam muitas outras pessoas que já dividiam entre si a terra. Por isso, Caim foi para a “terra de Node” e se casou. É evidente que, antes do casamento de Caim, outras famílias surgiram. Para que a segunda família fosse formada, foi necessário um casamento entre irmãos, filhos de Adão e Eva. Não podia ser de outra forma e isto não seria um erro, pois não havia nenhuma proibição divina nesse sentido. Muito tempo depois, na época de Moisés, Deus proibiu a união entre irmãos e outros parentes próximos (Lv.18.9).

 

 

GN.5.1-32 – A GENEALOGIA DE ADÃO ATÉ NOÉ. ENOQUE ANDOU COM DEUS.

 

 

Grande parte dos autores bíblicos apresenta genealogias em seus escritos. Estas listas familiares tornam-se evidências da seriedade do autor e conferem ao texto aspecto documental.  Personagens lendários não necessitam de genealogia, ou melhor, não a possuem. 

No capítulo 5, o autor percorre 1558 anos de história da humanidade, mas cita nominalmente apenas 13 personagens.  Seu propósito era apenas chegar a Noé para narrar o episódio do Dilúvio.  O que se diz sobre a maioria dos 13, é algo bastante comum: nasceram, tiveram filhos e filhas, e morreram.  Enoque, porém, é colocado em evidência porque ele era diferente dos demais. É verdade que ele nasceu, teve filhos e filhas, afinal não era um alienígena. Contudo, o texto não diz que ele morreu.  Numa época de corrupção, Enoque andou com Deus. Tendo sido diferente, teve um rumo diferente. Todos os outros personagens do capítulo 5 morreram, mas isto não é dito a respeito de Enoque.  Deus o tomou para si. Desse modo, ele se tornou um protótipo do arrebatamento da igreja. 

Nós, servos de Deus, precisamos andar com ele. O cristianismo não é meramente uma religião, é uma vida de relacionamento com Deus. 

Quem anda com Deus não é livre para fazer qualquer coisa, mas é livre de muitas coisas ruins. Quem anda com Deus não é livre para ir a qualquer lugar, mas somente aos lugares aonde Deus vai.  Contudo, andar com Deus não é restrição para a nossa liberdade. Pelo contrário, é garantia de liberdade, pois quem anda com Deus não pode ser impedido de prosseguir.

Andar com Deus, como fizeram Enoque (5.24) e Noé (6.9), significa viver com ele e não apenas realizar atos religiosos em sua homenagem.  Andar com Deus é incluí-lo em todos os setores da nossa vida. Andar com Deus é percorrer o caminho de Deus.  Certamente, não será ele que andará pelos nossos caminhos.  Isto significa fazer a sua vontade, escolher o seu rumo, aceitar a sua direção.  Conseqüentemente,  nós o teremos como companheiro, amigo e amparo constante.  Andando com Deus, chegaremos a um bom lugar, onde estaremos para sempre com o Senhor. 

Enoque viveu 365 anos antes de seu desaparecimento. A bíblia diz que depois dos 65 anos, ele andou com Deus durante 300 anos.  Isto é perseverança. É persistência e determinação. Não adianta andar com Deus um dia e depois abandonar o seu caminho.  Precisamos andar com Deus até chegarmos ao final desta viagem sobrenatural. Andar com Deus é uma expressão que pode ser interpretada como crescimento espiritual, progresso espiritual, ou, usando a linguagem do Novo Testamento, “andar em Espírito” (Gálatas 5.16) no caminho que é Cristo (João 14.6).

 

 

 

 

UTILIDADE DAS GENEALOGIAS

 

A seguir apresentamos a genealogia do capitulo 5 de Gênesis.

 

Personagem

Idade quando gerou o personagem seguinte.

Idade por ocasião de sua morte

ADÃO

130

930

SETE

105

912

ENOS

90

905

CAINÃ

70

910

MAALALEEL

65

895

JEREDE

162

962

ENOQUE

65

-----

MATUSALÉM

187

969

LAMEQUE

182

777

NOÉ

502 *

 

SEM, CÃO E JAFÉ

 

 

 

A leitura das genealogias é considerada normalmente como algo cansativo, monótono e inútil. Contudo, não é assim, pois através delas podemos extrair muitas informações. Algumas delas são apenas para satisfazer nossa curiosidade. Outras podem até ser úteis no estudo bíblico.

A genealogia acima nos permite as seguintes observações e algumas conclusões:

-                      São apresentados 13 nomes que vão, desde Adão até os filhos de Noé.

-                      Somando as idades da coluna central, concluímos que desde a criação de Adão até o nascimento de Sem, passaram-se 1558 anos.

-                      Em todo esse tempo, devem ter nascido centenas ou milhares de pessoas. Contudo, o autor teve interesse de mostrar apenas os nomes que ligavam Adão a Noé.

-                      Os nomes das mulheres não são citados na genealogia.

-                      Notamos que a descendência de Caim foi extinta com o dilúvio.

-                      O dilúvio aconteceu no ano 1656 após a criação do homem, pois Noé tinha então 600 anos (Gn.7.11). 

-                      Curiosidade: durante parte da vida do pai de Noé, Adão ainda era vivo.

-                      Curiosidade: o homem que mais viveu, Matusalém, parece ter morrido no dilúvio, pois morreu no ano em que Noé teria 600 anos.

-                      Como os homens viviam séculos, tinham seus filhos bem mais tarde do que acontece hoje.

 

* O texto de Gênesis 5 diz que Noé viveu 500 anos e teve três filhos, Sem, Cão e Jafé.  Este texto contém um arredondamento e um resumo dos fatos.  Isto poderia levar a crer que aos 500 anos de idade Noé teve três filhos gêmeos, mas não foi assim. Em Gn.10.21 vemos que Sem era o mais velho entre os filhos de Noé. Portanto, não eram gêmeos. Em Gn.11.10 vemos que, 2 anos após o dilúvio, Sem completou 100 anos. Sabendo que o dilúvio aconteceu aos 600 anos de Noé (Gn.7.6), concluímos que então Sem tinha 98 anos, tendo nascido quando Noé tinha 502 anos. 

 

Há quem questione as cronologias que se baseiam nas genealogias, alegando que possa haver omissão de personagens e, assim, omissão de períodos indefinidos de tempo.

 

 

GN.6.1-22 – A CORRUPÇÃO DA HUMANIDADE. O ANÚNCIO DO DILÚVIO.

 

 

O pecado se multiplicou e a humanidade se tornou perversa e abominável aos olhos de Deus (6.5,11,12,13). Diante disso, o Senhor resolveu destruir os homens e os animais por meio de um dilúvio.

O capítulo 6 nos traz dois temas de difícil entendimento. O primeiro é sobre a união entre os filhos de Deus e as filhas dos homens.  Há quem defenda a tese de que os “filhos de Deus” seriam anjos e as filhas dos homens seriam mulheres normais.  Contudo, tal afirmação é contrária ao contexto bíblico geral, visto que:

-          Os anjos não têm sexo pois foram todos criados de uma só vez e não se multiplicam (Mt.22.30).

-          Os anjos não têm corpos físicos. Daí, não poderiam se relacionar com as mulheres.

 

Outra hipótese é que os “filhos de Deus” sejam os descendentes de Sete e que as “filhas dos homens” sejam as descendentes de Caim. Embora esta alternativa seja plausível, não existem muitos dados para torná-la conclusiva.  E, afinal, se a descendência de Sete era considerada como os “filhos de Deus”, por quê apenas a família de Noé se salvou do dilúvio?  Portanto, nesse ponto temos mais perguntas do que respostas.

 

A outra questão difícil é a afirmação de que Deus tenha se arrependido de ter criado os homens e os animais.  Segundo I Samuel 15.29, Deus não se arrepende.  Sugerimos a seguinte solução. Arrependimento significa  mudança de direção.  Nesse sentido, é compreensível que Deus tenha mudado o rumo das coisas devido a motivos diversos, tais como o bom ou o mal comportamento dos homens.  Compreendendo arrependimento como peso pela culpa, então é correto afirmar que o Senhor não se arrepende, visto que ele não peca nem comete erros.

 

Diante de toda a perversidade dos homens, Deus determinou que os destruiria através do dilúvio. Isto aconteceria dentro de 120 anos. Vemos em cena a justiça e a misericórdia divina. O dilúvio deveria vir como manifestação da justiça. Por quê então ele não o enviou imediatamente? Para que Noé tivesse tempo de construir a arca e para que seus contemporâneos tivessem tempo de ser arrepender de seus pecados (I Pd.3.20).

Alguns interpretam o versículo 3 do capítulo 6 como um novo limite para a idade humana. Porém, isto não é verdade, pois, mesmo depois do dilúvio, muitas pessoas viveram muito mais de 120 anos (Gn.11.11,13,15, etc).

 

A família de Noé pode ser vista como um símbolo da igreja, que, se mantém pura no meio de uma geração perversa. Enquanto o juízo destruirá a muitos, a igreja será salva pelo Senhor.  Em uma visão menos escatológica, as águas do dilúvio são comparadas ao batismo cristão (I Pd. 3.21). Em suas profundezas ficou o velho mundo, a velha vida, uma velha história. Depois dele, tudo é novo.

 

A vida de Noé se tornou um exemplo de fé e obediência (Hb.11.7). Noé recebeu a palavra de Deus e creu. Sua fé iria, necessariamente, produzir ação.  Todo aquele que ouve a palavra de Deus e tem fé, precisa agir (Tg.2.26).

A obediência de Noé seria a realização de uma tarefa difícil. Estaria fazendo algo que nunca fizera antes, algo estranho e aparentemente absurdo.  Porém, Noé estava seguro, pois tinha contato direto com Deus.

 

A obediência de Noé, ao construir a arca (6.22), tornou-se um ato profético para a sua geração. Muitos deviam considerá-lo louco por estar construindo aquele enorme navio em terra seca.  Assim acontece com aqueles que se preparam para a vinda do Senhor Jesus. Noé era um pregador da justiça (II Pd.2.5). Porém, sua pregação não foi aceita, senão pela sua própria família.  Jesus disse que os dias que antecederiam a sua segunda vinda seriam como no tempo de Noé.  A palavra de Deus está sendo pregada para que todos se salvem. Porém, a maioria rejeita e escarnece da pregação do evangelho.

 

É interessante observamos que a família de Noé se salvou pela obediência ao chefe da casa. Talvez, nenhum deles ouvisse diretamente a voz de Deus, mas foram salvos porque obedeceram àquele que conhecia Deus, conhecia sua palavra e seus planos.  Quando, depois do dilúvio, o filho Cão se mostrou rebelde, sua vida caiu na desgraça.  Isto nos mostra a importância da sujeição às autoridades constituídas por Deus para o nosso próprio bem.

 

 

GN.7.1-24 – O DILÚVIO.

 

Em resposta à corrupção humana, Deus resolveu enviar o dilúvio sobre a terra. Este foi o primeiro ato de juízo divino sobre a humanidade e, assim como a destruição de Sodoma e Gomorra, pode também ser visto como símbolo do Juízo Final.

A arca de Noé pode ser vista como símbolo do Senhor Jesus, pelo fato de ter salvado aquela família ou podemos compará-la também à igreja.  Uma interpretação alegórica não elimina a outra. Se estamos “em Cristo” (II Cor.5.17) também estamos na igreja, fazemos parte dela.  A igreja é o lugar de acolhimento para os salvos. Lá fora estão os perdidos. Porém, sua porta ainda não está fechada.  Os que estão dentro podem, inclusive, sair, se quiserem, mas esta é uma decisão muito arriscada, pois a oportunidade de retorno não será eterna.  E, lembrando uma mensagem do Pr.José Rego do Nascimento, é interessante observar que Moisés soltou um corvo e este não voltou para a arca porque encontrou lá fora alguma podridão que combinava com sua própria natureza. A pomba, entretanto, retornou para a arca, pois naquele “mundo condenado” nada havia que pudesse agradá-la (Gn.8.6-9).

 

A igreja é um lugar seguro, onde temos proteção, alimento e direção divina.  Contudo, dentro dela estão pessoas diferentes e a convivência pode trazer alguns problemas, mas é preciso superar tudo isso através do amor, sabendo que, lá fora, não existe lugar seguro, pois o mundo jaz no maligno.

 

 

CARACTERÍSTICAS DA ARCA DE NOÉ

 

Material: madeira de cipreste

Revestimento de betume.

Comprimento: 300 côvados (aproximadamente 150 metros).

Largura: 50 côvados (aprox. 25 metros).

Altura : 30 côvados (aprox. 15 metros).

Com três andares, uma porta e uma janela.

 

 

QUESTÕES NUMÉRICAS

 

Alguns números aparecem com freqüência no texto bíblico.  No judaísmo, muitos deles têm significado espiritual, conforme os exemplos abaixo e referências de seu uso em Gênesis.

                              

NÚMERO

SIGNIFICADO

REFERÊNCIAS

3

Divindade

Gn.6.16; 15.9; 18.2

7

Perfeição, plenitude

Gn. 2.2-3;  7.2,3,4,10; 8.4,10,12;  29.18,27;  33.3

40

Tribulação; provação.

Gn.7.4,17; 8.6,10,12

 

Trabalhar com a questão numérica na bíblia é algo interessante, porém perigoso.  É inegável que os números tenham sentido espiritual, mas não podemos aplicar esta idéia a todo texto.  Precisamos estar cientes de que a numerologia é também um dos ramos do ocultismo.  Certamente, o Diabo toma coisas de Deus e usa para seus fins escusos. Portanto, estejamos atentos aos possíveis significados espirituais dos números apresentados na bíblia, mas o façamos cuidadosamente e sem atitudes extremas, como se desejássemos interpretar todos os números bíblicos.  Em muitos versículos o número é simplesmente um número e mais nada.

 

O número 3 está vinculado à divindade.  Isto é bastante sugestivo para nós que cremos na trindade divina. Como tricotomistas cremos que o homem tenha corpo, alma e espírito, sendo também uma trindade.  Em algumas situações, o diabo toma o número 3, tentando imitar Deus. Em Apocalipse, por exemplo, temos a “trindade satânica” formada pelo Dragão, a Besta e o Falso Profeta.  Três foi o número de andares da arca de Noé.

 

O número 7 significa perfeição ou plenitude.  No sétimo dia, Deus descansou da obra da criação. O Sétimo dia foi santificado.  Daí veio a duração da nossa semana.  O diabo também usa o número sete tentando simular perfeição.  Deus mandou que Noé colocasse sete casais de cada animal limpo na arca.  Algumas ações relacionadas ao dilúvio foram realizadas após o prazo de sete dias.

 

O número 40 está relacionado à provação, tribulação, tentação e outras situações difíceis.  Alguns homens de Deus jejuaram durante 40 dias: Moisés, Elias e Jesus.  O povo de Israel viajou no deserto durante 40 anos. O dilúvio durou 40 dias, embora Noé tenha ficado dentro da arca durante um ano e 10 dias.

 

 

A INEFICÁCIA DOS RECURSOS HUMANOS

 

Quando começou a chuva, aquele povo deve ter se assustado, mas imaginavam que não havia motivo para pânico. Afinal,  bastava que se escondessem dentro de suas casas.  Depois, se chovesse muito, poderiam subir nas árvores ou nas próprias casas. Os mais espertos tratariam de procurar lugares mais altos, como as montanhas.  O que eles não imaginavam é que nada disso seria suficiente para salvá-los. Em Gn.7.19 está escrito: “As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu foram cobertos.”

Talvez já estejamos sentindo as “primeiras gotas” do juízo divino sobre este mundo perverso. Diante disso, as pessoas buscam vários tipos de solução e refúgio. Alguns imaginam que sua própria bondade será suficiente para salvá-los. Outros pensam que a religião poderá protegê-los. Muitos vêem na educação a solução para os males que afligem a sociedade.  Contudo, tudo isso é inútil diante das conseqüências do pecado, diante dos castigos divinos.  A solução está em aceitar o plano de Deus para a salvação do homem: reconhecimento do pecado, confissão, arrependimento, fé no Senhor Jesus e sua aceitação como Salvador pessoal.  Somente desta forma é que entraremos no abrigo divino que nos preservará da perdição eterna.

 

 

GN.8.1-22 – NOÉ SAI DA ARCA.

 

A entrada de Noé na arca foi no dia 17 do segundo mês do ano 600 de sua vida (Gn.7.11). Ele saiu da arca no dia 17 do sétimo mês do mesmo ano (Gn.8.4).  Vemos que Noé ficou dentro da arca durante exatos 5 meses.  O autor nos diz que Noé esteve dentro da arca por 150 dias (Gn.8.3). Temos, portanto, nesse período, 5 meses de 30 dias. 

O calendário israelita baseia-se no ciclo lunar, possui 12 meses de 30 e 29 dias, num total de 354 dias. Cada mês começa na lua nova. Para fazê-lo coincidir com o calendário solar, em cada período de 19 anos, 7 deles possuem 13 meses (de acordo com o dicionário Aurélio)

 

Com o fim do dilúvio, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate (Gn.8.4). Este era o nome de um planalto que hoje faz parte da Turquia, na Ásia ocidental, onde estão as nascentes dos rios Eufrates e Tigre. 

 

 

GN.9.1-19 – ALIANÇA DE DEUS COM NOÉ.

 

As alianças são muito importantes no livro de Gênesis. Certamente, numa época em que não havia leis, ou se havia, elas ainda não eram suficientes para garantir a ordem e o respeito, muitos homens procuravam fazer alianças entre si.  Nisso notamos que, os homens normalmente honravam sua palavras, principalmente quando ditas em juramento, prática também comum em Gênesis.  Os mais fracos procuravam fazer aliança com os mais fortes. Assim, não seriam destruídos por eles e ainda teriam proteção e maiores recursos humanos e materiais para enfrentarem adversidades e inimigos.

As alianças significavam compromisso, uma sociedade, um pacto de amizade e cooperação. Eram confirmadas por palavra falada ou escrita dependendo da época, pela troca de objetos entre os pactuantes, por uma refeição e pela presença de testemunhas. Não havendo outras pessoas presentes, invocava-se o próprio Deus como testemunha ou até mesmo um objeto, como uma pedra, por exemplo. Toda aliança produzia direitos e obrigações de ambas as partes. 

Se a aliança com homens já era tão interessante e importante, o que dizer de uma aliança com Deus?

A primeira aliança desse tipo, apresentada pela bíblia, foi o pacto de Deus com Noé, que foi, de fato, um compromisso do Senhor com toda a humanidade e até mesmo com os animais (Gn.9.9-10). O arco-irís é o símbolo daquela aliança, segundo a qual, o mundo não mais será destruído pela água. 

Naquele momento Deus deu ordens a Noé (9.4-6) e lhe fez promessas (9.11,15). Temos aí algumas determinações que, mais tarde, apareceriam como parte da lei mosaica.

 

Curiosidade

 

Quando Deus criou Adão e Eva, ele lhes deu a produção vegetal como alimento (Gn.1.29). Depois do dilúvio, os homens foram autorizados a comer a carne de animais (Gn.9.3).

 

 

GN.9.20-29 – A EMBRIAGUEZ DE NOÉ E O PECADO DE CÃO.

 

O dilúvio interrompeu aquele processo acelerado de degradação da humanidade, contudo não o encerrou. O pecado não foi eliminado através do dilúvio.  Tendo saído da arca, Noé plantou uma vinha e se embriagou com o seu vinho.  Não havia nenhuma lei que o impedisse de se embriagar. Contudo, já vemos naquele episódio os efeitos malignos da embriaguez que, mais tarde seria desaconselhada (Ef.5.18). Noé perdeu seu controle e se despiu dentro de sua tenda.  Em seguida temos uma seqüência de males.  Seu filho Cão viu Noé nu e, ao invés de cobri-lo, levou o fato ao conhecimento dos irmãos.  Vemos aí o desrespeito de um filho ao pai. Mesmo que estivesse errado, Noé deveria ser respeitado. Cão deveria ter tomado providências para que a nudez de seu pai fosse coberta. No entanto, além de nada fazer, se mostrou maldizente, levando o fato ao conhecimento dos irmãos. Não é este mesmo o nosso erro quando tomamos conhecimento do pecado alheio e o levamos ao conhecimento de outras pessoas? Isto é maledicência.  Cão expôs Noé ao ridículo, colocando em risco sua honra e sua autoridade familiar.

Como conseqüência, Noé amaldiçoou parte da descendência de Cão, e abençoou a Sem e Jafé (9.25-27).  O resultado histórico foi a destruição parcial dos cananeus pelos semitas. Temos nesse texto a primeira bênção de primogenitura. Sem era o primogênito de Noé (10.21). Observe que, embora Jafé tenha sido abençoado, a bênção de Sem foi maior, pois ele seria o dono das tendas onde Jafé habitasse (9.27).

 

 

GN.10.1-32 – A GENEALOGIA DE NOÉ. 

 

 

1a  GERAÇÃO

NOÉ

2a  GERAÇÃO

SEM

CÃO

JAFÉ

3a  GERAÇÃO

Elão, Assur, Arfaxade, Lude, Arã

Cuxe, Mizraim, Pute, Canaã

Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque, Tiras

4a  GERAÇÃO

Uz, Hul, Géter, Más, Selá

Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá, Sabtecá, Ninrode, Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim, Patrusim, Casluim, Caftorim, Sidom, Hete

Aquenaz, Rifá, Togarma, Elisá, Társis,  Quitim, Dodanim.

5a GERAÇÃO

Éber

Sabá, Dedã

 

6a  GERAÇÃO

Pelegue, Joctã

 

 

7a GERAÇÃO

Almodá, Salefe, Hazermavé, Jerá, Hadorão, Uzal, Dicla, Obal, Abimael, Sabá, Ofir, Havilá, Jobabe.

 

 

CIDADES, NAÇÕES, POVOS E TERRAS HABITADAS

De Messa até Sefar, montanha do oriente.

Na terra de Sinear: Babel, Babilônia, Ereque, Acade, Calné.

Na Assíria (Nínive, Reobote-ir, Calá, Resém).

Filistia (Gaza, Gerar)

Canaã (heteus, jebuseus, amorreus, girgaseus, heveus, arqueus, sineus, arvadeus, zemareus, hamateus).

Sidom.

Sodoma, Gomorra,

Admá, Zeboim, Lasa.

 

 

Na genealogia de Gênesis 10, o autor não se interessou em apresentar as idades dos envolvidos, mas queria identificar alguns povos com o respectivo filho de Noé que lhes deu origem.  Observamos que o autor interrompeu rapidamente sua lista dos filhos de Cão e Jafé, mas foi mais longe discriminando os descendentes de Sem. Tal descendência era mais importante para o autor, pois daí surgiria o povo de Israel.  Notamos no quadro acima de onde vieram alguns povos inimigos de Israel: os babilônios,  filisteus, cananeus, etc.  Vemos também a origem de Sodoma e Gomorra. Todos estes eram filhos de Cão.  

A descendência de Sem é mostrada aqui até Jobabe. Depois, no capítulo 11, o autor vai continuar a genealogia, tomando-a a partir de Pelegue para chegar até Abrão.

 

 

GN.11.1-9 – A TORRE DE BABEL.

 

O texto que fala sobre os descendentes de Noé, dá destaque para um neto de Cão, chamado Ninrode (10.8-11). Este se tornou um símbolo do Anticristo.  Começando como caçador, veio a ser rei e o início do seu reino foi Babel.  Flávio Josefo escreveu que, a torre de Babel foi feita com base no temor de um novo dilúvio.  Naquele mesmo lugar, mais tarde foi construída a cidade da Babilônia, que viria a sediar um dos grandes Impérios da antiguidade.

Babel é uma palavra hebraica que significa “porta de Deus”. O objetivo daquela torre seria alcançar o céu. Até aí poderíamos ter uma visão positiva de Babel. Contudo, nada havia de Deus naquele projeto. Era algo feito contra a vontade de Deus, pois pretendia concentrar as pessoas naquele lugar, evitando-se a dispersão sobre a face da terra (11.4). Porém, o que Deus queria é que a terra se enchesse (Gn.1.28). Ele não ordenou que os povos se concentrassem num só lugar.

A torre de Babel pode ser interpretada como o esforço humano para alcançar o céu através de seus próprios meios e méritos. Este é o esforço das religiões. Babel é o oposto da igreja. Poderia ser vista como uma falsa igreja.  O povo de Deus se reúne em torno do nome de Jesus. As falsas religiões se constroem sobre outros nomes (11.4), embora usem também o nome de Jesus.

A Babilônia representa a religiosidade maligna que leva cativos os servos de Deus e quer impedi-los de servi-lo. No apocalipse, essa cidade aparece como um grande domínio que envolve religião, política e comércio. Provavelmente será a sede do governo do Anticristo.  Sobre ele e sua cidade cairá o juízo divino. 

 

O capítulo 10 sintetiza informações referentes a um período muito longo. Observe menção antecipada a Babel (10.10 x 11.9), à Assíria (10.11), aos filisteus (10.14), ao nascimento de Arfaxade (10.22 x 11.10). No capítulo 11, o autor retoma a ordem cronológica da narrativa.

 

 

BABEL – UNIDADE PARA O MAL

 

“Disse o Senhor: o povo é um e todos têm uma só língua. Isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.” Gn.11.6

 

Este versículo nos mostra um povo unido em torno de um projeto. A unidade é fundamental para qualquer grupo que queira realizar algo. Sem unidade, o grupo se torna um amontoado de pessoas. A unidade significa ter o mesmo propósito, reunir forças e recursos, aplicando-os em um objetivo comum.  Quando isto se torna realidade, os planos se concretizam.

No caso em estudo,  vemos que até projetos malignos podem ser viabilizados quando existe unidade. Quão unidos não deveriam ser então aqueles que buscam causas nobres, aqueles que trabalham pelo reino de Deus?

Contudo, aquele povo, embora unido, estava trabalhando num projeto que não tinha a direção nem aprovação divina.  Então, Deus interferiu para que eles não fossem bem sucedidos.  Eles achavam que poderiam ser independentes de Deus.  Até podiam mesmo, mas não para chegar ao céu.

 

 

ALEGORIA DA TORRE DE BABEL

 

Para que o projeto fosse encerrado, Deus confundiu as línguas dos que trabalhavam na torre. Assim, um não entendia o que o outro dizia, e a conseqüência foi a separação.  Por isso, Babel se tornou sinônimo de confusão. Não é assim que estão muitas famílias, muitas empresas, muitos grupos sociais?  Estão tentando viver sem Deus, e o que conseguem? Confusão. Todos falam, mas ninguém compreende. E muitas vezes o resultado é o caos, a falência, a separação. Precisamos de Deus como arquiteto das nossas vidas. Deixemos que o seu projeto prevaleça, pois só assim alcançaremos o céu.

 

 

GN.11.10-32 – A GENEALOGIA DE SEM ATÉ ABRÃO.

 

Na seqüência do capítulo 11 temos a genealogia de Sem, filho de Noé. Repetem-se então algumas informações já apresentadas no capítulo anterior. Agora, o propósito do autor é tão somente chegar até Abrão, o primeiro patriarca dos hebreus, aquele que se tornaria o “pai da fé”.  Até mesmo os crentes em Jesus Cristo foram chamados de “filhos de Abraão” (Gál.3.29).  Isto, certamente, não é natural, quando se refere a nós, gentios. Porém, fomos “enxertados” (Rm.11.17) na genealogia de Abraão, adotados por meio de Jesus Cristo.

Até este ponto da narrativa, o autor de Gênesis se referia à história da humanidade. Daí em diante, a atenção se volta exclusivamente para a história de Israel, que vai ocupar todo o Velho Testamento.

 

Apresentamos, a seguir, a genealogia de Sem:

 

Personagem

Idade quando gerou o personagem seguinte.

Idade por ocasião de sua morte

Sem

100

600

Arfaxade

35

438

Selá

35

438

Héber

34

464

Pelegue

30

239

Reú

32

239

Serugue

30

230

Naor

29

148

Terá

70

205

Abrão

Naor

Harã

 

 

 

 

 

 

 

Observações e conclusões:

-                      Os homens passaram a ter filhos bem mais cedo do que acontecia em Gênesis 5.

-                      Os homens viviam bem menos do que naquele tempo, quando muitos viviam mais de 900 anos.

-                      A tempo de vida foi diminuindo gradualmente, embora alguns personagens vivessem um pouco acima da média de sua época.

-                      Sabendo que Sem nasceu quando Noé tinha 502 anos,  e considerando a cronologia obtida pela genealogia do capítulo 5, e somando as idades relacionadas na coluna central da tabela anterior, concluímos que Abraão nasceu por volta do ano 1953,  contando desde a criação de Adão.

-                      Ló era sobrinho de Abrão.

-                      Naor,  pai de Abrão, era servo de Deus (Gn.31.53).

 

 

GN.12.1-20 – O CHAMADO DE ABRÃO. SUA DESCIDA AO EGITO.

 

 

Abrão estava em Ur dos Caldeus quando Deus o chamou, mandando-o para a terra prometida (At.7.1-4). A cidade de Ur localizava-se na Mesopotâmia (Gn.24.10), perto do rio Eufrates, chegando ao Golfo Pérsico, onde hoje se encontra a cidade de Tell El-Muqayyar [BOYER].  Escavações no local revelam uma civilização mais antiga que a dos egípcios, fenícios, assírios e gregos.

Deus mandou que Abrão saísse do meio de sua parentela. Contudo, ele saiu de Ur levando sua parentela.  Parecem ter viajado margeando o Eufrates, até a cidade de Harã. Ali morreu o pai de Abrão. Em seguida, Abrão prosseguiu até a terra de Canaã.  Após ter ficado ali algum tempo, foi para o Egito por causa da fome.

 

Peregrinação de Abrão até a sua morte, percorrendo a terra prometida, “marcando” o território (Gn.13.17):

 

 

CIDADE, NAÇÃO OU REGIÃO

REFERÊNCIA BÍBLICA

Ur dos Caldeus (Mesopotâmia)

Gn. 11.28

Harã (Assíria)

Gn. 11.31

Siquém (Canaã)

Gn. 12.6

Betel e Ai

Gn. 12.8

Egito

Gn. 12.10

Neguebe (Canaã)

Gn. 13.1

Betel (Canaã)

Gn. 13.3, 12

Hebrom (Canaã)

Gn. 13.18

Neguebe (Canaã)

Gn. 20.1

Entre Cades e Sur (no Neguebe)

Gn. 20.1

Gerar (Filistia)

Gn. 20.1

Berseba (Filistia)

Gn. 22.19

Hebrom (Canaã)

Gn. 23.2

Neguebe (Canaã)

Gn. 24.62

 

 

O CAMINHO DE ABRÃO –  SEUS ERROS E ACERTOS

 

Abrão saiu de sua terra em obediência a uma ordem de Deus, mas cometeu vários erros no caminho. Levou seu pai e seu sobrinho. Desceu ao Egito por iniciativa própria. O Egito não era a terra prometida, embora fosse a potência da época, cheia de atrativos. Deus não o enviou para lá.  Abraão deixou Betel, que significa “casa de Deus”  e “desceu” ao Egito (Gn. 12.10), que simboliza o domínio do inimigo.  Abraão  foi ao Egito porque havia fome em Canaã. Quantas vezes nós deixamos os lugares altos onde o Senhor nos colocou e descemos para buscar suprimento de alguma necessidade, quando deveríamos aguardar a direção do Senhor.  O momento da fome ou de qualquer necessidade, real ou imaginária, torna-se um momento de tentação.  É uma situação de risco, pois o inimigo nos oferece algo e somos tentados a aceitar.  Vemos situações desse tipo na história de Adão e Eva (Gn.3.6),  na história de Esaú (Gn.25.29-34) e de Jesus (Mt.4.1-11). Em cada caso, o desfecho teve suas particularidades.

Na seqüência da história, veremos outros erros de Abrão: duas vezes omitiu o fato de ser casado com Sara (que também era sua meia-irmã – Gn.20.12) e depois teve um filho com a escrava.

Cada erro de Abrão teve conseqüências danosas. Este é o problema do pecado, de cujos efeitos o Senhor deseja nos proteger ao nos dar seus mandamentos.

 

 

ERROS OU PECADOS DE ABRÃO

CONSEQÜÊNCIAS DIRETAS, INDIRETAS OU PROVÁVEIS

REFERÊNCIAS

Saiu de sua terra levando seu pai.

O pai morre no meio da viagem.

Gn. 11.31-32.

Saiu de sua terra levando Ló.

Contenda entre os pastores. Ló vai morar em Sodoma, envolve-se em um conflito entre reis, sai de lá fugindo; perde a esposa; é embriagado pelas filhas e comete incesto com elas, dando origem a duas nações malditas.

Gn. 12.4; 13.1-12; 14.12; 19.1-38

Desceu ao Egito por causa da fome

Colocou sua família em risco.

Gn.12.10-20

Omitiu o fato de ser marido de Sarai.

Expôs Sara e Faraó à possibilidade de adultério, o que, pode ter se consumado.

Causou grande mal a Sarai e também a Faraó e ao seu povo, pois grandes pragas vieram sobre eles.

Gn.12.15-19.

Gera um filho com Hagar

Hagar e Ismael são expulsos. Ismael gera uma descendência contrária a Israel.

Gn. 16

Saiu de Hebrom e foi para Gerar (terra dos filisteus).

Colocou sua família em risco.

Gn.20.1

Omitiu o fato se ser marido de Sara.

Expôs Sara e Abimeleque ao adultério.

Gn.20.2

 

No decorrer do texto verificamos que, entre um erro e outro de Abrão, Deus vem ao seu encontro algumas vezes e faz uma correção no rumo do patriarca, fazendo aliança com ele, dando-lhe ordens, promessas e direção. Assim acontece conosco.  Deus não desiste dos seus filhos por causa dos pecados deles. Ele nos corrige e nos orienta. Contudo, as conseqüências do pecado nos perseguem e também por isso devem ser evitados. O pecado de alguns minutos pode trazer prazeres que passam rapidamente e males que duram a vida inteira. 

 

 

GN.13.1-18 – A SEPARAÇÃO DE ABRÃO E LÓ.

 

 

Ló também era um servo de Deus (II Pd.2.7), mas a aliança de Abraão não servia pra ele. Sua saída de Ur teve conseqüências trágicas. Assim, o plano de Deus para uma pessoa não pode ser padrão para as outras.  Não podemos viver “pegando carona” na experiência alheia. Cada um precisa buscar sua própria experiência com Deus.

Por exemplo, se alguém foi orientado a deixar o emprego para se dedicar ao ministério, isto não pode ser imitado por outras pessoas, pois as conseqüências podem ser terríveis.  Jesus mandou que Pedro descesse do barco para andar sobre as águas. Nenhum dos outros discípulos poderia fazer isso, pois não receberam a mesma ordem.  Até mesmo no uso da bíblia, precisamos distinguir as ordens universais das ordens individuais e isto nem sempre é simples. Em Atos 16.31, Paulo diz: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.” Muitos têm usado esse texto como promessa divina da salvação da família. Esta interpretação é correta em relação à família do carcereiro de Filipos. Não se trata de uma doutrina bíblica. Tanto é assim que, ao escrever aos Coríntios, o mesmo apóstolo questionou: “Como sabes, ó mulher, que salvarás teu marido, e como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?” (I Cor.7.16). O erro, nesse caso, é tomar uma experiência pessoal e tentar aplicá-la de modo geral.

Como os rebanhos de Abrão e Ló haviam crescido muito, seus pastores começaram a contender. A separação foi a única solução. Naquele momento, Abrão poderia impor sua autoridade sobre o sobrinho. Contudo, deixou que Ló escolhesse a terra diante de si. Deu então um exemplo de renúncia, amor e desprendimento. Afinal, aquele que tem a promessa de Deus não precisa se impor, nem se apegar a coisas ou terras ou posições, pois sabe que Deus lhe dará tudo o que lhe prometeu. Quantos servos de Deus têm medo de perder suas posições?  Tremem diante dos “sobrinhos” que prosperam.

No mesmo texto vemos o exemplo de uma escolha errada com base nas aparências. Ló olhou para as campinas do Jordão (Gn.13.10), assim como Eva olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal. Aquela paisagem lhe pareceu “agradável aos olhos” e “desejável”.  Fez então sua escolha e foi morar em Sodoma que, mais tarde, seria destruída (Is.1.10,29). Com isso, Ló perdeu seu gado, seus bens e sua família. Nossas escolhas não podem ser feitas apenas com base no que vemos. Precisamos levar em conta os princípios divinos; precisamos orar e buscar a orientação do Senhor. 

“Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente. Toda esta terra que vês, hei de dar a ti e à tua descendência, para sempre.” Gn.13.14.

Deus não pode fazer algumas coisas em nossas vidas antes que rompamos compromissos que são contrários à sua vontade, ou antes que eliminemos aquilo que não agrada ao Senhor em nós.

 

 

GN.14.1-17 – A GUERRA DOS REIS.

 

No livro de Gênesis são citados vários reis. A monarquia era a forma de governo mais comum, senão a única.  Havia nações politicamente organizadas, mas, em algumas regiões, cada cidade era independente e tinha o seu rei (Gn.14.1,8,18), um tipo de “super-prefeito”, com seu próprio exército e plenos poderes.  Apesar disso, notamos que os reis eram bastante acessíveis.  

Abrão e Isaque se encontraram com alguns reis e, nesses episódios, fica evidente a grandeza dos patriarcas e a bênção de Deus sobre eles.  No capítulo 20, Abrão se destaca no encontro com Abimeleque, pois se mostra espiritualmente superior ao interceder diante de Deus pelo rei.

Note-se que Abraão tinha seu próprio exército capaz de sobrepujar o exército de um rei.  Muito tempo depois, Isaque se tornaria mais poderoso que o rei Abimeleque (Gn.26.16).

 

 

GN.14.18-24 – O ENCONTRO DE ABRÃO E MELQUISEDEQUE – SÍMBOLO DE CRISTO EM GÊNESIS 

 

Depois da guerra dos reis, Abrão se encontra com Melquisedeque, cujo nome significa “Rei de Justiça”. Sua cidade era Salém, ou seja, Jerusalém. Além de rei, aquele homem era sacerdote de Deus.  Vemos então o sacerdócio muito antes da época de Moisés e da lei.  Jesus é apresentado, muito tempo depois, como sacerdote da ordem de Melquisedeque e, portanto, anterior e superior ao sacerdócio judaico e a todos os seus valores (Salmo 110.4; Heb.7).

Melquisedeque foi uma figura misteriosa. Apareceu repentinamente no relato de Gênesis e sumiu da mesma forma. Não existem muitas informações sobre ele e isso ajudou a aumentar o mistério, ao ponto de algumas pessoas imaginarem que ele seria o próprio Jesus. Não era o caso, pois aquele homem não foi apenas uma visão de Abrão. Ele era um ser humano e rei em uma cidade conhecida da época.

Melquisedeque é um símbolo de Jesus em Gênesis. Ele recebeu o dízimo de Abrão, ofereceu-lhe pão e vinho e o abençoou.  Aquele homem era rei e sacerdote, assim como Jesus. Seu reino era sobre Jerusalém, onde também será o de Cristo.  Nota-se, já no relato de Gênesis, o valor religioso de Jerusalém que, por milhares de anos, tem sido motivo de guerras.  Havia sacerdotes em toda parte, mas só o sacerdote de Jerusalém foi considerado de Deus e só ele abençoou Abrão.

 

 

GN.15.1-20 – A ALIANÇA DE DEUS COM ABRÃO.

 

Através de Abrão, Deus deu início à execução do seu plano de salvação dos homens. Para que nascesse o Redentor, seria necessário um povo especial que lhe pudesse receber. O plano de Deus era dar a Abrão uma descendência.  Isto era totalmente contrário à situação daquele homem, que era velho e tinha uma esposa estéril. Tudo contribuía para que ele não tivesse nenhuma esperança de ter um filho. Aliás, para sermos realistas, isto era impossível.  Contudo, o problema humano não impede o propósito divino. Deus entra em situações impossíveis e realiza milagres. 

Para que Deus realizasse seu plano em Abrão era necessária uma aliança. Deus opera através daqueles que têm compromisso com ele. 

A fé de Abrão foi o que fez dele uma pessoa especial. Ele não era perfeito, mas tinha fé e o desejo sincero de servir a Deus. Abrão creu na promessa divina (Gn.15.6) e fez um compromisso com Deus, uma aliança.

A parte de Abrão seria a obediência. A parte de Deus seria dar a ele um filho e uma terra: Canaã. Os limites da terra prometida estão em Gn.15.18.

Abraão creu na promessa. Porém, entre esta e o seu cumprimento existe uma distância, um perído de tempo indefinido (Gn.15.13-16). Uma das maiores dificuldades de todo servo de Deus é conhecer o tempo de Deus e saber esperar. Normalmente, não sabemos quando Deus vai fazer algo e então a espera se torna muito difícil (Gn.17.21; 18.14; 21.1-2).

 

 

O RITUAL DAS ANTIGAS ALIANÇAS

 

 

Durante todo o período histórico coberto pelo relato bíblico, as alianças foram muito importantes nos relacionamentos entre os homens e até mesmo entre as nações. Até hoje, os pactos e contratos são elementos fundamentais na nossa sociedade.

Basicamente, uma aliança é um acordo entre duas ou mais partes que se unem para o compartilhamento de recursos visando objetivos comuns.  No livro de Gênesis, por exemplo, observamos o relato sobre várias alianças firmadas entre os homens (Gn.14.13; 21.27; 26.28; 31.44 ). Normalmente, o fraco se aliava ao mais forte. Desse modo, resguardava-se de ser atacado por esse mesmo indivíduo e, além disso, conseguia proteção em troca de algumas obrigações.   As partes pactuadas se comprometiam ao auxílio mútuo, principalmente em caso de guerra.

As alianças eram formalizadas através de rituais religiosos cujo conteúdo variava razoavelmente dependendo da época e do lugar. Entre os elementos mais comuns nesse tipo de cerimônia podemos citar: sacrifício de animais, presença de testemunhas, festa, refeição, troca de presentes, compromisso verbal em forma de juramento, estabelecimento de um memorial, um símbolo que permitisse a lembrança da aliança feita.

Em um tipo específico de ritual, um animal era sacrificado e seu corpo era partido. Seus pedaços eram colocados no chão e por entre eles passavam aqueles que estavam fazendo a aliança. Por esse ato declaravam que aquele que quebrasse a aliança deveria ser despedaçado como aquele animal (Jr.34.18; Gn.15.9-17).

A compreensão das alianças antigas e seus rituais nos ajuda a entender o compromisso entre Deus e os homens. A bíblia nos mostra que o Senhor fez aliança com Noé, que naquele ato era representante de toda a humanidade (Gn.6.18; 9.9-12). Depois, Deus fez aliança com Abraão, representante de Israel (Gn.15.18; 17.2).  No Novo Testamento, Jesus é o representante da igreja no estabelecimento da Nova Aliança com o Pai (Lc.22.20).

Aliança é compromisso. Jesus foi sacrificado. Seu corpo foi partido por nós durante uma festa, a páscoa (Mt.26.26).  Naquele dia, ele estabeleceu a ceia como um memorial, para que jamais nos esquecêssemos do nosso vinculo com o Senhor. 

Muitos querem ser abençoados, mas poucos querem compromisso. A diferença entre ambos será sentida por toda a eternidade. Ismael foi abençoado, mas Isaque teve aliança com Deus e através de sua descendência veio o Salvador.

Cristianismo é um modo de vida em aliança com Deus.  Isto não significa restrição, mas sim segurança. Se estamos comprometidos com aquele que é mais forte, aquele que é o Todo-Poderoso, então podemos descansar no seu poder e na sua fidelidade. Não estamos sós ou desamparados. Não podemos ser tocados pelo inimigo, pois aquele que está em nós e maior do que aquele que está no mundo.  Deus está conosco para lutar as nossas guerras.

Deus jamais quebrará uma aliança estabelecida por ele. A aliança de Deus com Noé continua firme e é por isso que o mundo nunca mais voltará a ser destruído pelas águas. A aliançaa de Deus com Abraão continua firme e é por isso que a nação de Israel continua viva e florescente, apesar de toda a fúria de seus adversários. A aliança de Deus com a igreja continua firme e é por isso que as portas do inferno não prevalecem contra ela.

Deus jamais quebrará sua aliança, mas... e nós?  Se você não tem compromisso com Deus, saiba que está vivendo perigosamente, pois o Inimigo tem direitos sobre a sua vida.  Se você tem aliança com Deus, não quebre o compromisso. Aquele que rompe a aliança pode ser despedaçado como o animal do sacrifício. Por esta causa, o abandono da fé, a apostasia, é algo muito perigoso. 

 

 

GN.16.1-16 – O NASCIMENTO DE ISMAEL.

 

Deus prometeu que Abrão teria um filho. O tempo passou. Abrão estava com 85 anos e o filho não vinha. Então, Sara teve uma idéia “brilhante”: Abrão poderia ter um filho com a escrava. A idéia foi aceita e assim foi feito. Abrão pensou que podia ajudar Deus a cumprir sua promessa. Foi um desastre histórico. Assim acontece quando não temos paciência e queremos interferir nos propósitos divinos.

Alguns erros não têm conserto.  Abrão não poderia matar Ismael.  O segundo erro seria maior do que o primeiro.  Ismael viveu e gerou uma descendência que, até hoje, cria sérios problemas para Israel. O que fazemos para antecipar o tempo de Deus torna-se algo inútil e prejudicial.

 

 

IDADE DE ABRÃO

FATO

REFERÊNCIA

75 anos

Abrão saiu de Harã

Gn.12.4

85 anos

Abrão resolve gerar Ismael

Gn.16.3

86 anos

Nasce Ismael

Gn.16.16

99 anos

Deus repete a promessa de uma descendência.

Gn.17.1,17

100 anos

Nasce Isaque

Gn.21.5

 

 

GN.17.1-27– A CIRCUNCISÃO - CONFIRMAÇÃO DA ALIANÇA.  DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO E SARAI.

 

Na antiguidade, os nomes eram escolhidos de acordo com seus significados. Algumas vezes, houve troca de nomes, em função de um significado melhor ou mais adequado.  Deus trocou o nome de Abrão (Pai exaltado)  para Abraão (Pai de uma multidão).  O nome de Sarai (Contenciosa) foi mudado para Sara (princesa).  (Obs.: alguns dicionários bíblicos atribuem também a “Sarai” o significado de “princesa”).

Deus mudou o nome de alguns de seus servos em função do propósito que tinha em suas vidas ou como referência à mudança de caráter. Outros exemplos: Jacó/Israel; Simão/Pedro.

Da mesma forma, Deus deseja mudar nossos nomes, ou seja, os adjetivos que normalmente nos caracterizam.  Que nenhum de nós seja chamado de “enganador” ou “desonesto”, mas que sejamos fiéis e verdadeiros.

O nome “Abrão” já era bom, mas o que Deus tinha para aquele homem era algo muito superior. De qualquer forma, ambos os nomes carregavam o sentido da “paternidade”, que era justamente o que faltava na vida daquele servo de Deus.  Talvez seu nome tenha sido motivo de zombaria algumas vezes, pois aquele “pai exaltado” não tinha um filho sequer.  A situação parece ter se agravado quando o seu nome foi mudado para “pai de uma multidão”.   Assim, muitas vezes, a nossa realidade não corresponde aos propósitos de Deus, mas não podemos desanimar, pois tudo se cumprirá no tempo determinado. 

Abraão queria um filho, mas o plano de Deus é que ele fosse pai de muitas nações. Vemos quão superior é o projeto de Deus para nós.

Vejamos algumas nações que surgiram de Abraão:  Israel (Jacó), Edom (Esaú), Árabes (Ismael), Midianitas (Midiã), etc.

 

 

CIRCUNCISÃO – ATO DE CONFIRMAÇÃO DA ALIANÇA – Gn. 17.4-14

 

 

No capítulo 17, temos a confirmação da aliança de Deus com Abraão. São repetidas algumas promessas do capítulo 15 e acrescentados alguns detalhes. Naquele episódio foi instituída a circuncisão.  No capítulo 15, Abraão havia sacrificado animais. Agora, precisaria fazer um sacrifício pessoal.  A aliança com Deus não se restringe a tarefas fáceis, nem tampouco a compromissos verbais, embora estes também façam parte.  A obediência envolve ações que trazem dor.

Circuncisão significa “cortar em volta”. Trata-se do corte no prepúcio, ou seja, a pele que envolve o órgão sexual masculino.  Abraão ficaria marcado para não se esquecer da aliança.

Abraão obedeceu, e todos os homens de sua casa foram circuncidados naquele mesmo dia (17.23-27). Ele não deixou para o dia seguinte. Quando recebemos ordens de Deus, devemos cumpri-las com urgência. 

A ordem de Deus significou um tipo de prova para Abraão. Ao obedecê-la, Abraão demonstrou de forma prática a sua fé.  Não podemos crer apenas na teoria. Precisamos colocar em prática a nossa fé (Tg.2.26).

Não precisamos provar nada para Deus, pois ele é onisciente. Entretanto, nós precisamos de tais evidências, para nossa própria segurança. Nossa prática também serve como testemunho da nossa fé perante as outras pessoas. Veja outros textos que mostram a obediência de Abraão: Gn.12.1-4;  21.10,14; 22.2-3; 26.5.

A circuncisão tornou-se um símbolo prático da aliança com Deus. No nosso contexto, o batismo nas águas e a ceia têm sentido semelhante.

 

 

GN.18.1-16 – TRÊS SERES CELESTIAIS VISITAM ABRAÃO.

 

 

Abraão teve experiências progressivas com Deus, de modo que foi conhecendo mais o caráter do Senhor e o plano divino para a sua vida.  Isto significa “andar com Deus”, embora Abraão tenha, em alguns momentos, tomado seu próprio rumo e sofrido as conseqüências.

 

Experiência

Referência

Ordem para sair de sua terra

Gn.12.1-4

Promessa de uma nação

Gn.12.2-3

Promessa de uma terra

Gn.12.7

Apresentação da extensão da terra

Gn.13.14-18

Aliança com Deus marcada com sangue e fogo

Gn.15

Confirmação da aliança – instituição da circuncisão. Deus diz que o filho viria de Sara.

Gn.17

Abraão recebe a visita de três seres celestiais, sendo que um deles era o próprio Deus em forma humana.

Gn.18

Deus revela a Abraão o propósito de destruir Sodoma e Gomorra.

Gn.18

Abraão intercede por Ló e Deus o responde.

Gn.18

Abraão recebe o filho da promessa: Isaque

Gn.21

Deus pede que Abraão sacrifique seu filho e, em seguida lhe dá livramento.

Gn.22

 

Em toda experiência com Deus existe a ação divina e a ação humana, seja como iniciativa ou ato de obediência.  As promessas estão associadas às ordens. Muitas das bênçãos estão condicionadas à obediência.  As revelações são dadas àqueles que buscam ao Senhor.

 

No capítulo 18, Abraão recebe uma visita celestial. Três “homens” chegam à sua tenda e são recebidos com entusiasmo por Abraão, que parece ter reconhecido o Senhor imediatamente. Ali estavam Deus com dois dos seus anjos (18.2,3,13,22; 19.1).

 

Em sua progressiva caminhada com Deus, Abraão chegou ao nível da intimidade com o Senhor, tornando-se o único homem a quem a bíblia chama de “amigo de Deus”. (Gn.18.17; Tg.2.23).  Nós não alcançaremos tal posição se mantivermos uma vida espiritual de superficialidade.

 

 

GN.18.17-33 – O ANÚNCIO DA DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA.

 

 

Devido à sua intimidade com Deus, Abraão recebeu a revelação da destruição de Sodoma e Gomorra. Temos aí a condição básica do ministério profético: intimidade com Deus (Am.3.7; Salmo 25.14). Pouco tempo depois,  Deus disse que Abraão era profeta (Gn.20.7), aliás, o primeiro que recebe tal título na biblia, embora saibamos que Enoque e Noé também profetizaram. No Novo Testamento, o maior profeta, se podemos dizer tal coisa, foi João que, tendo sido o amigo mais íntimo de Jesus, recebeu as maiores revelações, incluindo o impressionante Apocalipse.

Abraão foi também o primeiro intercessor, pois orou ao Senhor a favor do seu sobrinho Ló.  Observe que no capítulo 14, o patriarca agiu em favor de Ló. No capítulo 18 ele orou. No primeiro caso, tratava-se de uma situação que estava ao alcance de Abraão resolver. No segundo caso, não, pois o mal anunciado viria do próprio Deus. Quantas vezes oramos quando deveríamos agir ou agimos quando deveríamos orar!  Podemos fazer algo pelo irmão, mas pedimos a Deus que o faça.  Em Gn.20.17, Abraão intercede também pelo rei Abimeleque.

 

 

GN.19.1-38 – A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA.

 

Devido à sua má escolha, o justo Ló foi morar no lugar errado.  Muitas vezes, os servos de Deus passam por situações de sofrimento e podem até levantar questionamentos sobre a vontade de Deus. Contudo, se esquecem de que tais situações são frutos de suas próprias escolhas, que podem ter sido feitas sem oração e sem consulta ao Senhor.

Apesar de tudo isso, Deus mandou  seus anjos para tirarem Ló daquele lugar antes que a destruição ocorresse.  Nisto vemos a misericórdia divina a favor daquele homem e de sua família (19.16,19).

As cidades de Sodoma e Gomorra se destacaram na história pela prática do homossexualismo (19.4-5). Daí veio o termo “sodomita” (Dt.23.18; I Rs.14.24; I Rs.15.12; I Rs.22.46; II Rs.23.7; I Cor.6.9; I Tm.1.10) que significa “homossexual” ou aquele que pratica relação sexual anal.

Sodoma se tornou motivo de aflição para Ló (II Pd.2.7). Ele se tornou um pregador no meio daqueles ímpios, mas foi motivo de zombaria (Gn.19.14).

A destruição de Sodoma e Gomorra foi um clássico exemplo do juízo divino, como fora o dilúvio.  O pecado daqueles homens ultrapassou os limites da tolerância divina.  Aquele episódio foi usado no Novo Testamento como modelo da ira divina que será derramada nos últimos dias (Lc.17.28-32; II Pd.2.6; Jd.7; Ap.11.8).

Ao sair de Sodoma, Ló escapou da destruição. Contudo, sua mulher olhou para trás e se transformou numa estátua de sal, tornando-se exemplo do que acontece com aqueles que ficam presos a uma vida passada de pecado. As filhas de Ló o levaram à embriaguez e tiveram relações sexuais com ele. Daí nasceram dois filhos, Ben-Ami (hb: filho do meu povo) e Moabe (hb: família de um pai), que deram origem a duas nações malditas: Amom e Moabe, grandes inimigos de Israel (I Sm.14.47).  Observemos as conseqüências de Ló ter criado suas filhas em um lugar perverso, onde não havia o conhecimento do Senhor. 

 

A relação sexual entre pais e filhos nunca apareceu na bíblia como algo permitido ou tolerável e, a partir da lei mosaica, foi claramente proibido (Lv.18.7-10).

 

GN.20.1-18 – ABRAÃO HABITA EM GERAR E NEGA QUE SARA SEJA SUA ESPOSA.

 

Abraão sai de Hebrom (Gn.13.18) e vai para Gerar, na terra dos filisteus, ao sul de Gaza (Gn.20.1; 21.34). Fez isso sem a direção de Deus e acabou se submetendo a uma situação difícil. Por medo de Abimeleque, omitiu o fato de ser marido de Sara.  Por isso, Abimeleque a tomou para ser sua mulher. Porém, não chegou a possuí-la pois Deus o alertou em sonhos. 

De fato, Sara era irmã de Abrão por parte de pai. Contudo, omitir que era sua esposa  foi um erro pois criou uma situação favorável ao adultério.

Vemos, então, o patriarca Abraão, o pai da fé, em situação de fraqueza, medo e omissão. A bíblia não disfarça as fraquezas e os pecados de seus heróis. Assim  vemos na história de Abraão, Isaque, Jacó, os doze patriarcas, Moisés, Davi, e outros. Demonstrando sua humanidade comum, o texto bíblico deixa claro que, assim como Deus agiu na vida daqueles homens normais, pode agir também em nós.

Esta sinceridade dos autores bíblicos é fator favorável à credibilidade bíblica. 

 

GN.21.1-8 – O NASCIMENTO DE ISAQUE.

 

Aos 100 anos de idade (Gn.21.5), Abraão teve seu filho Isaque, conforme Deus havia prometido 25 anos antes.  Isaque nasceu quando Abraão e Sara já não podiam mais gerá-lo por si mesmos. Além de idosa (90 anos), Sara era estéril.  Não havia esperança humana nesse caso. Quando nasceu Ismael, Abraão tinha 86 anos (Gn.16.16).  Ainda era auto-suficiente. Aos 99 anos, porém, ele já não estava tão certo de que poderia gerar um filho (Gn.17.17,24).  Quando parece tarde demais, Deus ainda opera.  Ele espera que os recursos humanos terminem para que a glória seja só dele. (Quando Jesus ressuscitou Lázaro, ele já estava sepultado há 4 dias.  Jesus podia tê-lo curado alguns dias antes, mas ele esperou que não houvesse nada que pudesse tirar o brilho ou deixar em dúvida a obra miraculosa de Deus).

 

Quando nasceu Isaque, Ismael estava com 14 anos. O filho da escrava era o primogênito de Abraão. Contudo, tal direito não lhe foi atribuído.  Rapidamente surgiu a rivalidade entre os irmãos (Gn.21.9-10). Tal conflito continua até hoje entre árabes e israelenses, cujo objeto de discórdia é a posse da terra, herança do pai Abraão.

 

Obs.: Em época anterior a Abraão, ter um filho aos 100 anos era algo perfeitamente possível e normal (Gn.11.10-11).

 

GN.21.9-21 – A EXPULSÃO DE HAGAR E ISMAEL.

 

O filho sofre as conseqüências do pecado de seus pais, mesmo que não haja exatamente uma maldição envolvida nisso. É apenas resultado lógico de uma ação errada.  Mas Deus não deixou que Ismael morresse no deserto.  Vemos nisso a misericórdia divina em ação.

 

 

GN.22.1-24 – A PROVA DE ABRAÃO – SACRIFICAR ISAQUE.

 

Para conhecer um pouco mais do caráter de Deus, Abraão precisava sacrificar um pouco mais, ou muito mais.  Depois da experiência de cortar na própria carne, Abraão precisou encarar a decisão de sacrificar o seu próprio filho. Certamente, nenhuma ordem de Deus tinha sido tão difícil até então.

Aquela foi uma oportunidade de Abraão conhecer um pouco mais a si mesmo.  De outro modo, ele jamais saberia do que seria capaz em sua caminhada com Deus.  O Senhor nos apresenta desafios para que a força e a sinceridade da nossa fé se manifeste de modo claro.  Jamais seremos fortes se não passarmos por situações difíceis.  É o fogo que dá ao ouro seu brilho e aumenta o seu valor.

A experiência de Abraão e Isaque no monte Moriá pode ser comparada ao sacrifício de Jesus.  Abraão pode ser visto como “figura” de Deus, o Pai.  Isaque representaria Jesus.  Assim como Isaque carregou a lenha enquanto subia (22.6), Jesus carregou a cruz ao subir o monte Calvário.

Abraão disse aos servos: “havendo adorado, voltaremos para vós.”  Nesta frase, está clara a fé do patriarca, pois estava convicto de que, mesmo que Isaque morresse, Deus haveria de ressuscitá-lo (Heb.11.18-19).  Está aí simbolizada a ressurreição de Cristo.

Naquele momento amargo, Abraão, que já cria na provisão divina, pôde experimentá-la de fato. As tribulações são necessárias para que possamos experimentar aquilo em que acreditamos.  Abraão conheceu a Deus um pouco mais: o Deus da provisão.

Ao dispensar o sacrifício de Isaque, Deus mostrou a Abraão e a toda humanidade que ele não queria sacrifícios humanos. Até então, isto não estava claro para Abraão.  O único sacrifício humano que Deus iria providenciar seria o sacrifício do seu próprio filho, Jesus.

Naquela região, Moriá, onde Abraão sacrificaria Isaque, foi construído, muito tempo depois, o templo de Salomão.

 

GN.23.1-20 – A MORTE DE SARA.

 

Para sepultar a esposa, Abraão comprou seu primeiro pedaço de terra em Canaã (Gn.23.16), por 400 siclos de prata.  O siclo era unidade monetária (e também peso) dos hebreus, babilônios, fenícios, etc. Um siclo de prata, no tempo do Velho Testamento, correspondia a 11,4 gramas [Thompson].  400 siclos eram então 4,560 Kg.  Abraão não usou moedas, tais como as que temos hoje, mas pesou a prata para o pagamento. O proprietário estava pronto a doá-lo. Porém, Abraão não aceitou a doação, assim como não aceitou doação do rei de Sodoma (Gn.14.21-23), embora tenha aceitado doações de Faraó (Gn.12.16) e de Abimeleque (Gn.20.14).

 

 

GN.24.1-67 – O CASAMENTO DE ISAQUE E REBECA.

 

Abraão não queria que Isaque se casasse com uma mulher cananéia. Então, mandou seu servo Eliezer buscar uma esposa para o filho entre as mulheres de sua família, em Harã. Rebeca era neta de Naor, irmão de Abraão (Gn.22.20-24).

Eis algumas das características de Rebeca:

Pertencia a uma boa família, demonstrava bondade (24.17-18) e disposição para o trabalho (24.11-14). Era virgem e formosa.  Porém, não era perfeita. Muitos anos depois, ajudou Jacó a enganar Isaque. Não procure uma mulher perfeita. Afinal, somente um homem perfeito deveria desejar uma mulher perfeita.

Eliezer não estava em busca de qualquer mulher. Por isso, colocou-se a observar as características da moça. Contudo, acima de tudo, ele contava com a providência divina afim de não se enganar.

Rebeca se mostrou muito disposta ao trabalho. Ela estava pronta a dar água para 10 camelos. 

Note-se a completa submissão de Isaque à autoridade paterna. Em algumas culturas da atualidade os casamentos ainda são definidos pelos pais. Em alguns casos, quando os filhos são ainda crianças.

O servo de Deus, ao escolher uma esposa, deve procurá-la entre as filhas de Deus, alguém que pertença à nossa família.  O jugo desigual é algo perigoso que pode trazer inúmeras conseqüências prejudiciais.

A história de Isaque e Rebeca nos traz uma ótima ilustração para o ensino sobre Jesus e a Igreja.  Abraão pode representar Deus, o Pai. Eliezer seria comparado ao Espírito Santo. Enquanto o Filho está no céu, o Espírito vem à terra para buscar a igreja. Contudo, ele precisa de um tempo para prepará-la para o encontro com o noivo. Os presentes e adornos que Eliezer deu a Rebeca podem ser comparados aos dons espirituais (Gn.24.22). 

 

 

GN.25.1-11 – A MORTE DE ABRAÃO.

 

Após a morte de Sara, Abraão casou-se com Quetura, com quem teve vários filhos. Teve filhos também com outras mulheres, suas concubinas.

Abraão morreu aos 175 anos.  Toda a sua herança ficou para Isaque (25.5), embora Ismael fosse o primogênito.  Talvez não houvesse uma lei para controlar esse tipo de situação.  Os outros filhos de Abraão também ficaram sem herança. Receberam apenas presentes (25.2,6).

 

 

GN.25.12-18 – A GENEALOGIA DE ISMAEL.

 

Ismael gerou 12 príncipes que se tornaram 12 tribos, como depois ocorreria com Jacó.  De Ismael veio o povo Árabe.  Referências à Arábia e aos árabes:  II Cr.9.14; II Cr.17.11; II Cr.21.16; II Cr.22.1; II Cr.26.7; Is.13.20; Jr.3.2; I Rs.10.15; Is.21.13; Jr.25.24;Ez.27.21; Ez.30.5; At.2.11.

 

 

GN.25.19-25 – O NASCIMENTO DE ESAÚ E JACÓ.

 

Isaque e Rebeca tiveram dois filhos: Jacó e Esaú.  Embora fossem gêmeos, tinham diferenças físicas e de personalidade.  Jacó tinha a pele lisa. Esaú era peludo. Notamos aí uma diferença genética que talvez possa ser usada como exemplo de variação como as que deram origem às raças.  Não se trata de mutação nem de evolução, mas variação já programada pelo Criador no código genético.

Jacó e Esaú dariam origem a duas nações: Israel e Edom, que seriam povos inimigos.  A descendência de Jacó permanece até hoje. Os descendentes de Esaú foram exterminados ou se misturaram com outros povos.

 

GN.25.26-34 – ESAÚ VENDE SUA PRIMOGENITURA.

 

Jacó era homem caseiro, o preferido por sua mãe.  Esaú, porém, era caçador.  Um dia, ao voltar do campo, estava muito cansado e faminto. Jacó havia preparado um guisado de lentilhas.  Esaú, querendo saborear aquele manjar, se dispôs a vender seu direito de primogenitura.  Isto nos faz refletir sobre os momentos de fome, ou algum tipo de necessidade física ou psicológica, real ou imaginária. Momentos assim tornam-se oportunidade de tentação e pecado.  O inimigo vem nos oferecer algo para suprir nossa necessidade. Ele tem alguma “solução” para nos vender, embora pareça gratuita.  O preço é muito alto, embora não tenhamos de pagá-lo de imediato. Contudo,  quando a cobrança vier, será tarde demais para desfazer o negócio.

Esaú vendeu sua bênção por um prazer passageiro, pelo suprimento de uma necessidade.

O momento de Eva diante do fruto proibido foi aproveitado pela serpente para a tentação (Gn.3). O momento de Jesus no deserto, com fome, foi aproveitado por Satanás para fazer-lhe sua oferta (Mt.4).  A fome colocou também Abraão (Gn.12.10) e Isaque em situações perigosas (Gn.26.1).

 

 

GN.26.1-11 – ISAQUE HABITA EM GERAR E NEGA QUE REBECA SEJA SUA ESPOSA.

 

Por causa da fome, Isaque saiu do lugar determinado por Deus e desceu a Gerar, na terra dos filisteus.  Se Deus não impedisse, ele teria chegado ao Egito, como tinha feito seu pai (12.10).

Observe o peso do exemplo dos pais.  Isaque chegou à terra de Abimeleque e negou que Rebeca fosse sua esposa, assim como Abraão fizera em relação a Sara. Parece que este Abimeleque era o mesmo do tempo de Abraão (compare 21.32 e 26.26). Contudo, existe a possibilidade de “Abimeleque” ser um títulos dos reis filisteus (veja Salmo 34 e I Sm.21.12-13). Assim, o Abimeleque do tempo de Isaque pode ter sido filho do Abimeleque conhecido por Abraão.

Isaque fixou residência temporariamente por ordem de Deus (26.1-3,6,17,23).  Isto favoreceu a prática da agricultura (26.12). Para vencer a fome, foi preciso definição de local, trabalho e paciência para aguardar a produção.  A indefinição e a inconstância são favoráveis ao estado de necessidade.

 

 

GN.26.12-25 – AS CONTENDAS DE ISAQUE PELOS POÇOS.

 

 

Isaque prosperou e os filisteus o invejaram.  Como o domínio se dava pela força,  a prosperidade de uns representava ameaça para os outros.  (Foi assim até na época do Êxodo, quando faraó temeu pelo crescimento do povo hebreu).  Isaque semeou na mesma terra que os filisteus. Contudo, sua colheita foi abundante porque o Senhor o abençoou (26.12-16).   

A inveja, por si mesma, nada pode fazer contra alguém. Não se trata de uma energia invisível que possa prejudicar uma pessoa, senão ao próprio invejoso.  O mal acontece quando a inveja é transformada em ação contra o próximo.

Isaque lutou pela herança de Abraão. Ele foi em busca dos poços que seu pai havia cavado.  Isaque procurou resgatar os valores do pai. O que foi bênção para o pai haveria de ser bênção para ele também.

Os filisteus, motivados pela inveja, lançaram entulho nos poços de Isaque.  Assim, o inimigo procura encher nossa vida de lixo, tentando bloquear o fluir de Deus em nós (fruto, dons, palavra, poder, etc); (João 7.37-38).

Isaque pretendia apenas usufruir dos poços cavados por seu pai. Contudo, as coisas não foram assim tão simples. Ele precisou fazer o seu próprio trabalho. Precisou cavar quatro vezes e brigar pelos poços (26.14-22, 32-33).  Observamos a insistência de Isaque, sua perseverança no propósito de conseguir águas vivas, águas correntes dos lençóis subterrâneos.  Se quisermos grandes experiências com Deus, não podemos ser superficiais. Precisamos cavar, buscar, com esforço e perseverança.  O texto nos mostra também a persistência do inimigo no seu propósito de prejudicar os filhos de Deus.  Contudo, Isaque foi vencedor. “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Apc.2.10).   “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós” (Tg.4.7).  

Deus poderia ter providenciado água para Isaque de outras formas. Poderia enviá-lo para junto de um rio. Poderia fazer chover abundantemente. Porém, a facilidade não gera experiência nem contribui para o desenvolvimento de habilidades.

 

Os nomes dos poços e seus significados:

Eseque (Gn. 26.20) – Hb. luta

Sitna (Gn.26.21) – Hb. luta.

Reobote (Gn.26.22) – Hb. espaços largos.

Berseba (Gn.26.33) – Hb. poço do juramento.

 

A luta é constante, mas não é eterna.  Antes de alcançarmos “espaços largos” precisaremos passar por caminhos apertados e portas estreitas.

 

 

GN.26.26-25 – A ALIANÇA ENTRE ISAQUE E ABIMELEQUE.

 

 

A aliança era uma forma de união para o compartilhamento de força e recursos.  Para alguém que estivesse se sentindo fraco, era vantajosa uma aliança com o forte para obter proteção e garantia de não ser atacado ou destruído por aquela mesma pessoa.  Assim, Abimeleque, ao se sentir inferior a Isaque, tratou de conseguir uma aliança com ele.

Observe que, em situações assim, o fraco é aquele que procura a aliança. Afinal, o forte está em situação de vantagem e não necessita do acordo.  Desse modo, Abimeleque procurou Isaque (Gn.26.26-30). Observe o destaque que o patriarca obtém naquela situação. 

Isaque chegou naquela terra como um estrangeiro em busca de comida.  Algum tempo depois ele se tornou mais poderoso do que o rei daquela cidade.

Algumas vezes, a  realização de uma aliança envolve um sacrifício e uma refeição, acompanhada de juramento (26.31) na presença de testemunhas (26.26).   Isto nos faz lembrar a ceia de Jesus com seus discípulos quando, tomando o cálice, disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós.” (Lc.22.20) (Heb.9.15,18-28). 

O rei Abimeleque demonstrou astúcia ao fazer aliança com Isaque. Ele era rei dos filisteus e estes foram inimigos históricos de Israel. Portanto, temos aí uma ilustração da astúcia do inimigo. Depois de tentar nos vencer pela força (Gn.26.14,15,20,21), ele procura fazer aliança conosco, de modo que depois, não tenhamos mais autoridade para combatê-lo e ele possa nos destruir na intimidade.  Cuidado com os compromissos com o pecado, os jugos desiguais, as sociedades com os infiéis. Outro caso semelhante ocorreu quando Josué fez aliança com os gibeonitas (Js.9).

 

 

GN.27.1-46 – JACÓ É ABENÇOADO NO LUGAR DE ESAÚ.

 

 

As palavras “bênção” e “maldição” estão em destaque no livro de Gênesis. Uma das formas de alguém ser abençoado era por meio do pai ou do avô.  Eles tinham o poder de abençoar ou amaldiçoar. Este era um forte motivo para que fossem respeitados, honrados, obedecidos e agradados.  Eram um tipo de representantes de Deus perante os filhos.  Os primogênitos tinham uma bênção especial. Seria o caso de Esaú que, embora tivesse um irmão gêmeo, foi marcado como primogênito no momento do nascimento.

Sabemos, porém, que Esaú, quando sentiu fome e cansaço, considerou de pouco valor seu direito de primogenitura. Afinal, aquele direito lhe garantiria bênçãos e benefícios futuros, em época desconhecida, e ele precisava de algo imediato para satisfazer sua necessidade.  Quantas vezes abrimos mão dos nossos direitos como filhos de Deus em troca de vantagens imediatas e passageiras. O ser humano deseja benefícios e resultados rápidos. A paciência é virtude de poucos. Deus nos dá bênçãos imediatas, mas sabemos que o principal está guardado para nós em um futuro indefinido, embora certo.

Quando Esaú vendeu seu direito de primogenitura, não sentiu os efeitos devastadores de sua decisão. Sua vida continuou inalterada, até que chegou o dia das conseqüências.  Desse modo, as decisões erradas podem não apresentar malefícios imediatos, mas estes certamente virão.

Esaú perdeu a bênção que seu pai lhe daria. Um breve momento de insensatez e precipitação produziu uma grande e desastrosa conseqüência. Chegou a hora de pagar a conta, a dívida para com Jacó.

Esta hora chegará para todos. O que foi plantado deverá ser colhido, seja nesta vida ou na eternidade.

É interessante observarmos que Deus respeitou o mau negócio feito por Esaú.  Ele não interfere nas nossas escolhas porque já nos deu inteligência e livre-arbítrio. Deus apenas nos ensina, nos aconselha e nos adverte. Porém, não impede nossos erros.  Deus poderia ter orientado Isaque para abençoar Esaú. Contudo, ele respeitou a decisão que levou à venda da primogenitura. A bênção foi dada a Jacó.  Se Deus interferisse, Esaú não colheria o fruto de sua decisão. Isto seria um estímulo ao erro.

Naquele episódio, Rebeca usou a autoridade materna de modo errado, ajudando o filho a enganar o pai (Gn.27.8,13).

Isaque estava velho e já não podia ver. Esta deficiência visual foi decisiva para que Jacó o enganasse. O capítulo 27 faz referência aos 5 sentidos do corpo. Por falta de visão (27.1), a audição (27.22), o tato (27.12,21,22) e o olfato (27.27) foram usados na tentativa de se saber a verdade. Contudo, cada sentido foi, por sua vez, enganado. O paladar (27.4,19,25) foi agradado pelo alimento saboroso e isso ajudou bastante no processo do engano.  Quando a visão não funciona, tentamos usar como “olhos” outros órgãos e sentidos.  Contudo, o texto mostra a fragilidade, insuficiência e “enganabilidade” dos sentidos físicos. Isaque não consultou ao Senhor, não usou suas capacidades espirituais, mas confiou no seu próprio corpo e foi enganado. 

Esaú pretendia agradar o pai com um alimento saboroso para ser abençoado. Porém, Jacó fez isso primeiro com a ajuda de sua mãe.  Vemos como o ser humano é manipulado pela comida. Lembremo-nos do caso de Eva diante do fruto proibido, de Esaú diante do prato de Lentilhas. Muito tempo depois, Satanás tentou a Cristo da mesma forma, sugerindo que ele transformasse pedras em pães.

Jacó mentiu três vezes (27.19,20,24) e colocou até o nome de Deus em sua mentira (27.20). Isto sempre aconteceu, desde Gênesis 3, quando a serpente distorceu a palavra de Deus. Sempre existem pessoas dizendo que Deus disse isso e aquilo. Algumas estão bem intencionadas, embora enganadas. Outras fazem isso de má fé, com o objetivo de enganar as pessoas em nome de Deus.  Muitos até já se acostumaram a dizer que o Senhor lhes falou algo ou fez algo, contudo suas vidas não correspondem a essa suposta intimidade com Deus.

Depois que Jacó saiu da presença de Isaque, Esaú ainda quis ser abençoado. Contudo, a bênção de Isaque sobre Jacó foi absoluta, abrangente e irrevogável (27.37). Ele disse que Jacó seria senhor sobre todos os seus irmãos. Sendo assim, que bênção poderia ser dada a Esaú, se ele já tinha sido declarado servo de Jacó?  Isaque não tentou consertar ou modificar o que foi dito. Sua palavra era irrevogável, ainda mais se tratando de um pedido de bênção diante de Deus (27.28). Veja como as nossas palavras, nossa oração e nossos compromissos devem ser levados a sério.  De fato, Isaque ainda abençoou Esaú (Heb.11.20), dando-lhe chance de sobrevivência, moradia e libertação, mas tudo isso ocorreria com grande esforço e dificuldade (Gn.27.39-40).

Esaú e Jacó eram gêmeos. Sendo assim, qualquer um podia ser considerado primogênito.  O que fez a diferença, no final, foram suas ações e seus propósitos. Embora Jacó tenha usado de engano, ele estava em busca da bênção. Esaú, por sua vez, desprezou e vendeu a bênção. Isto foi abominável aos olhos de Deus (Rm.9.12-13; Heb.12.16). 

Depois que Jacó foi abençoado, Rebeca enganou Isaque mais uma vez, fazendo-o enviar Jacó a Padã-Arã como se fosse para procurar uma esposa, quando, de fato, ele estava fugindo de Esaú (Gn.27.46; 28.2).

Jacó tinha o exemplo do engano em sua própria mãe.

 

 

 

GN.28.1-22 – A VIAGEM DE JACÓ PARA PADÃ-ARÃ E O SONHO DA ESCADA PARA O CÉU.

 

No capítulo 28 começam as experiências espirituais de Jacó em meio a uma situação adversa. Ele estava sozinho, sem condições financeiras, sem conforto, enquanto viajava para Padã-Arã.  Quando dormiu, o único travesseiro que tinha era uma pedra, mas foi naquela noite que ele teve uma visão celestial. Viu uma escada que ia da terra ao céu, por onde os anjos subiam e desciam.    Jacó exclamou: “O Senhor está neste lugar e eu não sabia”. Aquele sonho mostrava a realidade do mundo espiritual, sobre o qual Jacó já tinha informações, mas nenhuma experiência.  A escada mostra a ligação entre a terra e o céu, demonstrando a ligação entre o mundo natural e o mundo espiritual e, sobretudo, a soberania divina na condução da história.  Jacó precisava saber que não estava sozinho, embora não tivesse companheiro de viagem. Precisava saber também que Deus tinha seus propósitos e que ele não podia conduzir sua vida por meio do engano.

Naquela noite, o Senhor repetiu para Jacó as promessas feitas a Abrão e Isaque.  Ele era herdeiro das promessas, cujo teor pode ser resumido nas palavras: descendência, terra e bênção.

O Senhor disse: Eu sou o Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Ele não disse “Deus de Jacó”, pois ainda não o era.  Jacó não era ainda um servo de Deus. Veja no versículo 20 e 21: “Se Deus for comigo, me guardar..., me der pão..., vestes..., e eu voltar em paz...,  o Senhor será o meu Deus..., e de tudo o que me deres... te darei o dízimo.”  Embora já começasse a ter experiências com Deus, Jacó ainda se mostrava interesseiro. Parecia querer fazer um jogo ou negócio com Deus, como se os dízimos pudessem representar algum lucro para Deus.  O mais importante não é o dízimo, mas uma vida reta, que manifeste um caráter transformado. É fácil prometer dízimos quando não se tem coisa alguma. Hoje em dia, muitos entregam seus dízimos querendo receber tudo de volta multiplicado. Fidelidade interesseira não é legítima.  De qualquer forma, Deus abençoou Jacó, não por causa de sua proposta, mas por causa das promessas feitas a Abraão.

 

 

GN.29.1-31 – JACÓ SE ESTABELECE NA CASA DE LABÃO E SE CASA COM LIA E RAQUEL.

 

Ao chegar em Padã-Arã, Jacó conheceu Raquel, a quem amou profundamente.  Raquel e Lia eram filhas de Labão, irmão de Rebeca, portanto, primas de Jacó. 

Jacó desejou se casar com Raquel e por isso trabalhou durante 7 anos.  O casamento de Isaque, embora tenha sido feito sob o controle do pai, foi bem mais fácil.  Jacó foi mais independente, mas pagou caro por isso.  Depois dos 7 anos de trabalho, ele foi enganado por Labão que, no lugar de Raquel,  lhe deu Lia por mulher (29.25).   A falta de iluminação fez com  que Jacó só notasse o engano no dia seguinte.  Jacó, o “enganador” colheu o que havia plantado (31.7). Foi enganado como fizera com seu pai.  Mesmo se casando com Lia sem querer,  Jacó não se separou dela, como muitos fazem atualmente, mesmo se casando espontaneamente.

 

GN.29.32 A 30.24 – O NASCIMENTO DOS FILHOS DE JACÓ.

 

Ao se casarem com Jacó, Lia e Raquel receberam de seu pai as servas Bila e Zilpa.   As quatro foram mulheres de Jacó.  Assim como Abraão, Jacó teve filhos com as concubinas. Os filhos de Bila foram considerados filhos de sua senhora, Raquel. Os filhos de Zilpa foram considerados filhos de Lia.  O conceito de propriedade tinha rigorosos desdobramentos.  O que, por um lado, pode parecer injusto, por outro garantiu a liberdade dos filhos das escravas.  Vemos que o desejo de ser filhos era maior que o ciúme que porventura existisse. Assim, Lia ofereceu a escrava para o marido. Raquel agiu da mesma forma, assim como Sara havia feito muitos anos antes.  Lia e Raquel sabiam o quanto era importante uma descendência para Jacó e usaram todos os recursos possíveis para que ele tivesse filhos. Pensando que cada filho lhes garantiria maior amor do marido, elas passaram a concorrer entre si no objetivo de dar filhos a Jacó.

 

FILHOS DE LIA

FILHOS DE BILA (escrava de Lia)

FILHOS DE ZILPA (escrava de Raquel)

FILHOS DE RAQUEL

Rúben

Gade

José

Simeão

Naftali

Aser

Benjamim

Levi

 

 

 

Judá

 

 

 

Issacar

 

 

 

Zebulom

 

 

 

Diná (filha)

 

 

 

 

O nascimento de Benjamim só ocorre em Gênesis 35.16-18. Os filhos de Raquel foram os mais amados por Jacó.  Os filhos de Lia foram os mais autoritários da família. Os filhos das escravas e suas tribos não tiveram grande destaque na história de Israel, embora não possamos dizer que não tiveram importância. Judá, filho de Lia, a mulher desprezada, deu origem à descendência de onde viria Jesus.

 

Conflito conjugal – Gn.30.1-2 – Jacó e Raquel se amavam. Entretanto, o amor não garante a ausência de conflitos. O amor não impede a ira. Raquel sentiu inveja de sua irmã e transformou esse sentimento em uma exigência descabida, dizendo a Jacó: “Dá-me filhos senão eu morro!”.  O desejo por filhos é legítimo. Entretanto, o que agravou a situação foi a comparação com outra mulher.  Se vivermos comparando nossa vida com a dos outros, sejam colegas, vizinhos ou parentes, provavelmente seremos dominados pelo sentimento de insatisfação com nossa própria condição. Podemos ser dominados pela cobiça e pela inveja, ainda que o objeto de nosso desejo não seja intrinsecamente errado.  Desse modo, podemos colocar exigências demasiadas sobre o nosso cônjuge,  esperando dele algo que está acima de suas possibilidades.  Jacó não podia curar a esterilidade de Raquel. Diante daquela exigência, Jacó se irou fortemente contra sua esposa.  A ira não significa ausência ou fraqueza do amor.  A ira é uma emoção momentânea. O amor, porém, é permanente.  É perfeitamente normal que, eventualmente, fiquemos irados com as pessoas a quem amamos. Contudo, o amor garante que não perderemos o controle das nossas emoções. “Irai-vos, mas não pequeis” (Ef.4.26). Não  foi o caso de Caim, que irou-se e matou seu irmão, visto que não o amava (Gn.4).

 

 

GN.30.25-43 – A PROSPERIDADE DE JACÓ EM PADÃ-ARÃ.

 

Apesar dos percalços que encontrou,  Jacó prosperou naquela terra.  Trabalhava com os rebanhos do seu sogro e recebia cordeiros como pagamento.  O mais importante é que a bênção de Deus estava sobre ele.  Os rebanhos eram bastante férteis e o número de cordeiros de Jacó cresceu abundantemente.  Labão tentou  impedir tamanho crescimento, mas todos os tratos acabavam beneficiando Jacó.  Os anos de trabalho, que poderiam ser um modo de exploração, acabaram se tornando oportunidade de enriquecimento. A pecuária se tornou especialidade de Jacó e de seus filhos (Gn.46.31-34).

Depois do seu enriquecimento, encontramos Jacó em casa e Labão no campo trabalhando. Parece que a situação se inverteu. A primeira referência que mostra Labão realizando algum trabalho está em Gênesis 31.19.

 

GN.31.1-55 – JACÓ FOGE DE LABÃO.

 

Enquanto Jacó prosperava, a riqueza do sogro diminuía. Isto acabou se tornando um problema entre ambos. Temendo o que Labão lhe poderia fazer e sendo orientado por Deus, Jacó resolveu voltar para a Canaã, terra de seu pai, Isaque.   Em algumas circunstâncias,  não vale a pena entrar em confronto com as pessoas.  Talvez seja melhor a distância.  A fuga nem sempre é sinal de fraqueza, mas de inteligência.  Aliás, Jacó não era fraco diante de Labão. Poderia enfrentá-lo, mas não era prudente destruir o pai de suas esposas.  É melhor parecer fraco do que ser cruel.

Vemos que Labão também pagou por ter enganado a Jacó (31.7-9). Por fim, Jacó o enganou (31.20,26,27).

 

 

GN.32.1-32 – JACÓ VAI AO ENCONTRO DE ESAÚ E LUTA COM DEUS.

 

 

Desde a experiência do sonho, quando viu uma escada indo da terra ao céu, não encontramos Jacó orando em momento algum até chegarmos ao capítulo 32.  O verso 13, do capítulo 31, parece confirmar esta hipótese de que Jacó não buscou ao Senhor naqueles anos, embora Deus o estivesse abençoando.  Quando, porém, ele se viu dominado pela angústia, então lembrou-se de orar (32.6-9). O Senhor permite muitas circunstâncias ruins em nossas vidas, pois sabe que, nessas horas, corremos para ele. Não deveria ser assim, pois devemos buscar ao Senhor continuamente e não apenas nos momentos de crise.

Jacó tinha diante de si um grande desafio:encontrar seu irmão, Esaú, que pretendia matá-lo. Diante de tão grande risco, Jacó dividiu sua família em dois grupos, de modo que pelo menos um deles pudesse escapar com vida, de preferência aquele onde estavam os filhos de Raquel.

 

Naquele momento de sua vida, Jacó era um homem rico, cheio de bens materiais, tinha mulheres, servos e filhos. Era um homem abençoado e próspero. O que mais poderia querer ou precisar? Jacó precisava de uma mudança de caráter. Isto estava representado pelo seu nome, pois Jacó significa “enganador”.  São tantos os motivos que levam as pessoas a buscarem a Deus, mas o que mais precisam é de uma mudança de caráter.

Depois de ter colocado a caminho sua família, seus servos e seu gado, Jacó ficou sozinho para ter uma nova experiência com Deus.

Na nossa relação com Deus, podemos ser conduzidos e orientados, mas em algum momento precisamos tomar decisões individuais. Só assim teremos nossa própria experiência e convicção.  Não basta viver pedindo oração. É preciso que cada um ore. Não é suficiente viver sustentado pelo conhecimento dos outros. Cada um deve buscar sua própria experiência com Deus.

Jacó lutou com Deus e prevaleceu (32.28).  Isto parece absurdo mas é verdade. A luta de Jacó tornou-se símbolo da oração persistente e determinada.

 

 

GN.33.1-20 – JACÓ ENCONTRA-SE COM ESAÚ.

 

Embora Jacó tivesse muito medo de Esáu, a bênção de Deus estava sobre ele para livrá-lo da morte.  Mas, mesmo sendo poupado no seu encontro com seu irmão, Jacó ainda não se deu por seguro e mais uma vez mentiu. Disse que ia para Seir, onde se encontraria novamente com Esaú, mas foi para Sucote.   Sua decisão foi baseada no medo e não numa direção de Deus.  Como conseqüência, sua família foi morar em um lugar inadequado  e sua filha foi estuprada.

 

 

GN.34.1-31 – O ESTUPRO DE DINÁ E A VINGANÇA DE SIMEÃO E LEVI.

 

Diná, filha de Lia, foi violentada por um homem chamado Siquém.  Poderíamos questionar: como Deus permitiu que a filha de Jacó passasse por uma tragédia como essa?  O compromisso com Deus é individual.  O fato de ser filha de Jacó não era suficiente para livrar Diná de todos os males. Assim, muitos cristãos podem lamentar tragédias nas vidas de seus filhos. Contudo, cada um vive suas próprias experiências e a fé de um não serve como garantia para outro, embora possa beneficiá-lo de várias formas.

Os irmãos de Diná, Simeão e Levi, ficaram revoltados com aquele fato e executaram uma vingança sangrenta, matando todos os homens daquele povoado.   Eles usaram de engano (34.13),  como aprenderam pelos exemplos do pai Jacó.

Vemos que os filhos não consultaram ao seu pai, nem buscaram direção de Deus, mas tomaram sua própria decisão para cometerem um mal pior do que o primeiro.  Naquela altura da narrativa bíblica, percebemos que os filhos de Jacó já eram adultos e chegavam a tomar decisões relacionadas à família sem o consentimento ou conhecimento por parte do pai. Vemos uma inversão na ordem familiar e as conseqüências desse mal.  Contudo, o próprio Jacó já tinha dado o mal exemplo, pois outrora havia enganado seu pai Isaque.  

Naquele momento, Jacó questionou a decisão de Simeão e Levi. Eles o retrucaram e acabou o assunto. Terminamos o capítulo 34 com a impressão de que a autoridade de Jacó estava liquidada e que os filhos tinham todo o controle da situação e que os seus erros tinham ficado impunes.  Porém, Jacó ainda tinha o poder de abençoar ou amaldiçoar os filhos. Muito tempo depois, no capítulo 49, Jacó profere o juízo contra aqueles filhos violentos.  Da mesma forma, hoje em dia, pode parecer que os malfeitores estão ficando impunes. Contudo, o juízo final virá para dar a cada um a sua recompensa.

 

 

GN.35.1-29 – JACÓ VOLTA A BETEL. O NASCIMENTO DE BENJAMIM.  A MORTE DE ISAQUE.

 

 

A volta de Jacó a Betel, que significa “casa de Deus”, apresenta aspecto de reconciliação.  Depois daquela experiência trágica, quando toda a sua família foi colocada em perigo (34.30), Jacó ouviu a voz de Deus, mandando que ele subisse a Betel.  Quantas famílias estão destruídas,  divididas, e precisam voltar para a “casa de Deus”!   Os primeiros versículos do capítulo 35 nos mostram um Jacó mais ousado, retomando sua posição de autoridade familiar.  Sua primeira atitude foi lançar fora os ídolos.  Observe que aqueles falsos deuses haviam sido trazidos da casa de  Labão e, até então, Jacó os tinha tolerado.  O mal que toleramos em nossas casas pode nos levar à destruição.  Jacó, porém, tomou uma atitude antes que fosse tarde demais.

As atitudes de Jacó foram:

 

-                      Destruição dos ídolos.  

-                      Purificação.  Podemos comparar esta etapa com o perdão do pecado mediante a confissão a Deus ou à pessoa ofendida.  Esta purificação é interior.

-                      Troca das vestes.  Nosso testemunho exterior deve refletir a purificação interior. Não adianta apenas trocar as vestes, pois isto seria apenas uma mudança de fachada.  Esta mudança de vestes não implica numa questão de figurino. As vestes representam nosso modo de vida, nossas ações (o que acaba incluindo o nosso jeito de vestir). 

-                      Subir a Betel.  Em nosso contexto atual, Betel representa a igreja.  Esta é a casa de Deus na terra. Não nos referimos aos templos de tijolos, mas ao conjunto dos salvos. Aquele que tem ou deseja um compromisso com Deus, deve se unir aos que da mesma forma servem ao Senhor.

-                      Construir um altar.  Não basta destruir os ídolos, se no lugar deles nada for construído.  Construir o altar significa praticar atos de busca ao Senhor, tais como a oração e o jejum.

 

Estas expressões nos mostram mudança de vida, de propósito, busca ao Senhor e compromisso com ele.  Como resposta, Deus fez com que os inimigos de Jacó ficassem apavorados diante dele e não o perseguissem.  Quando buscamos ao Senhor e nos purificamos, ele nos livra dos nossos inimigos (35.5).

 

Até então, as experiências de Jacó tinham sido individuais. Isto era necessário e indispensável. Entretanto, quando Deus falou com Jacó, ele não se restringia ao campo individual. A família sempre era incluída.   No cap. 34, ficou demonstrado que a família de Jacó estava bastante prejudicada e até corrompida. Diná foi estuprada. Simeão e Levi se tornaram homicidas. Raquel era idólatra e parece que outros familiares também.  Jacó tomou então uma atitude e conclamou sua família a uma busca coletiva ao Senhor.  Aquela experiência foi benéfica para todos, mas cremos que, particularmente, representou muito para José que, individualmente, teria um relacionamento sólido com Deus.

 

A narrativa prossegue com o nascimento do último filho de Jacó, Benjamim (35.16), em cujo parto morreu Raquel.  A reconciliação com Deus, observada nos versos anteriores, aconteceu em um momento fundamental para Raquel, pois sua morte estava bem próxima. De fato, ela aproveitou a última oportunidade que teve. É importante que cada pessoa busque ao Senhor no dia de hoje, pois não sabemos qual será nossa última oportunidade.

 

Outro fato de destaque no capítulo 34 é que Rúben, o filho mais velho de Jacó, teve relacionamento sexual com Bila, a concubina de seu pai (35.22).  Parece que Jacó falhou na educação dos filhos. Temos vários motivos para crer assim (Cap.37). José foi uma exceção devido à sua própria experiência com Deus. Um dos problemas que existiam dentro daquela casa era a preferência por alguns filhos em detrimento de outros. Jacó preferia os filhos de Raquel: José e Benjamim.  Em segundo lugar vinham os filhos de Lia e, por último, os filhos das servas. Vemos que a poligamia teve conseqüências negativas para os filhos.   Esse problema de preferência já existia entre os pais de Jacó. Este era o preferido de sua mãe, enquanto que Isaque amava mais a Esaú.

Já mencionamos a inversão da ordem de autoridade na família de Jacó. Ao que parece, os filhos normalmente faziam o que queriam. O ato de Rúben foi o ponto culminante de um longo processo. De tanto tomar decisões no lugar do pai, resolver também usurpar a mulher de seu pai. Rúben era o primogênito, mas não teve nenhuma bênção especial ou destaque entre os filhos de Jacó. Pelo contrário, foi duramente repreendido (cap.49).

 

Depois destas coisas, Jacó voltou para a terra de seu pai Isaque que, algum tempo depois, faleceu, aos 180 anos.  Pelo direito de primogenitura, Jacó herdou todos os bens de seu pai.

 

 

GN.37.1-36 – OS SONHOS DE JOSÉ E A INVEJA DE SEUS IRMÃOS.  JOSÉ É VENDIDO COMO ESCRAVO.

 

José foi o que mais se destacou entre os filhos de Jacó.  Talvez, devido à intimidade que tinha com seu pai,  recebeu mais ensinamentos sobre Deus e tornou-se um homem exemplar. 

Foram três as razões principais para o surgimento de grandes barreiras entre José e seus irmãos.

1-                   Ele era o preferido do pai (37.3), por ser filho de Raquel, a amada de Jacó.  Benjamim também era filho de Raquel, mas José, sendo mais velho, era tratado como se fosse o primogênito, embora o primeiro filho de Jacó fosse Rúben, com a esposa Lia.  Jacó fazia o melhor que podia para José.

2-                   José tinha sonhos revelados,  cujo significado indicava que ele teria autoridade sobre seus irmãos.  Isto parecia absurdo, principalmente para os irmãos mais velhos, inclusive Rúben. Como poderia o penúltimo filho dominar sobre todos os demais?  Os planos de Deus não estão presos às nossas expectativas nem à nossa idéia de justiça.  Muitas vezes acontece dos últimos serem os primeiros (Mt.19.30). Nesse caso, o penúltimo foi o primeiro. 

3-                   Os irmãos de José não o amavam.  A história da família de Jacó foi problemática desde o princípio, embora fosse uma família escolhida por Deus.  A poligamia, as divisões e as preferências dentro lar talvez sejam a explicação para o fato de que os irmãos de José não o amavam. Pelo contrário, eles o invejaram (37.11), odiaram (37.4,5,8) e resolveram matá-lo (37.18).  Veja a seqüência de males crescentes. Um abismo chama outro abismo (Salmo 42), e esse tipo de situação não é raro nas famílias e na sociedade moderna.  José só não foi morto devido à intervenção divina a seu favor. 

 

JOSÉ – UM JOVEM EXEMPLAR

 

José tinha ainda 17 anos  (Gn.37.2) quando teve seus sonhos revelados.  Podemos ver nele o exemplo de um jovem que servia a Deus.  Sua história deve servir de inspiração para os jovens crentes da atualidade.

É normal que o jovem seja um sonhador, no sentido figurado da palavra.  Quais são os sonhos que os jovens têm tido?  Seus desejos, planos, projetos ou até mesmo fantasias, revelam muito do seu caráter.  Se tivermos compromisso e experiência com Deus, sonharemos com a concretização da vontade de Deus em nossas vidas.

José contou seus sonhos para seu pai e seus irmãos.  Será que ele deveria ter contado? Talvez sim, mas isto nem sempre é aconselhável ou, mesmo que contemos nossos sonhos, não podemos contá-los para qualquer pessoa. José, porém, contou para sua família, considerando-os dignos de confiança.  Seus irmãos, entretanto, se indignaram com o significado daqueles sonhos e decidiram matá-lo.  Eles imaginaram que poderiam impedir que aqueles sonhos se realizassem (37.18-20).  Entretanto, é impossível impedir o plano de Deus.  Enquanto se esforçavam nesse sentido, acabaram contribuindo, involuntariamente, para que o propósito divino se concretizasse.  “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito” (Rm.8.28).  Rúben, em raro momento de acerto, impediu que José fosse assassinado (Gn.37.21). O primogênito demonstrou sua liderança entre os irmãos. Em seguida, tiraram sua túnica e o lançaram numa cisterna. Depois o tiraram de lá para vendê-lo como escravo e assim foi levado para o Egito que era, exatamente, o lugar determinado por Deus para o cumprimento dos sonhos proféticos (Gn.37.28).

 

 

JOSÉ – SÍMBOLO DE CRISTO EM GÊNESIS

 

José se tornou uma figura de Cristo.  Podemos traçar vários paralelos entre ambos, mostrando suas trajetórias da casa do pai até o lugar de sofrimento e depois o caminho de ascensão à glória. Mencionamos alguns pontos comuns no quadro a seguir, sem levar em conta a ordem cronológica dos fatos.

 

VIDA DE JOSÉ

TEXTO

VIDA DE CRISTO

TEXTO

Tiraram sua túnica

Gn.37.23

Tiraram sua túnica

Mt.27.28,35

Roupa manchada com sangue.

Gn.37.31

Roupa manchada com sangue.

Ap.19.13

Lançado na cisterna.

Gn.37.24

Sepultado.

Mt.27.59-60

Retirado da cisterna.

Gn.37.28

Ressuscitado.

Mt.28.7

Vendido por 20 siclos de prata. (228 gr.)

Gn.37.28

Vendido por 30 moedas de prata.

 

Mt.26.15

Escapou da morte e foi para o Egito

Gn.37.28

Escapou da morte e foi para o Egito

Mt.2.13

José recebeu autoridade de Faraó

Gn.41.40-41

Jesus recebeu autoridade de Deus

Mt.28.18

Só Faraó era superior a José.

Gn.41.40

O Pai é superior a Jesus.

João 5.30; 15.15

Todos deveriam se ajoelhar diante dele.

Gn.41.43

Todo joelho se dobrará diante de Jesus

Fp.2.10

Recebeu o nome de Salvador do mundo

Gn.41.45

Jesus é o Salvador do mundo. O nome “Jesus” significa Salvador.

Mt.1.21

Tinha 30 anos quando entrou na presença de Faraó para ser governador.

Gn.41.46

Jesus tinha cerca de 30 anos quando começou seu ministério.

Lc.3.23

Todas as nações iam a José, pois só ele tinha suprimento

Gn.41.57

Todas as nações serão regidas por Cristo.

Apc.12.5; 19.15

 

 

Considerando o salário de um trabalhador do Novo Testamento, quase 4 gramas de prata por dia, o valor pelo qual José foi vendido corresponderia aproximadamente a 57 dias de trabalho.  Estamos fazendo comparação com o salário de uma época muito posterior, mas é apenas para nos dar uma idéia de valor. Concluímos então que José foi vendido por um preço muito baixo. Afinal, seus irmãos não o valorizavam. O mesmo aconteceu com Jesus.  Jesus foi avaliado em 30 moedas de prata. Qualquer quantidade de prata seria injusta como preço para se vender o Senhor.  Assim, nada existe neste mundo que possa justificar a rejeição contra Cristo ou a renúncia ao evangelho. Muitos estão “vendendo Jesus” como Esaú vendeu seu direito de primogenitura.

 

José sonhou com o propósito de Deus e entendeu os sonhos. Contudo, sua história, a partir daquele momento, tomou um rumo que parecia totalmente contrário ao que Deus lhe havia prometido. Foi lançado numa cisterna, depois foi vendido com escravo e, como se tudo isso não bastasse, tornou-se prisioneiro.

Ele viveu vários momentos muito difíceis. Podemos pensar, por exemplo, naqueles instantes, ou talvez horas, que José passou no fundo da cisterna.  Tudo parecia estar perdido. Nada havia que José pudesse fazer para se salvar. Contudo, Deus providenciou seu escape. Assim também, em muitas situações podemos nos ver “no fundo do poço”, sem solução aparente. Se olharmos para baixo ou para os lados não veremos saída. Porém, se olharmos para cima, teremos esperança, pois de lá virá o nosso livramento.

Segundo Erlinho Oliveira, “Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado, e inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo, será um prisioneiro.

A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em  terra.

Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado.

Se for colocado em um piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

 

Muitos servos de Deus passam por situações que parecem totalmente contrárias às promessas de Deus. Contudo, não devem abrir mão de sua fé. Não devem murmurar nem blasfemar, pois Deus continua no controle da nossa história. Devemos olhar para cima e buscar o socorro do Senhor. Todos os males na vida de José só serviram para empurrá-lo rumo ao posto de governador do Egito.

 

Os irmãos de José disseram a Jacó que ele havia sido morto por um animal selvagem.  Jacó, que tantas vezes enganou os outros, foi enganado mais uma vez, de forma amarga e cruel (Gn.37.31-34).

 

 

DIREÇÃO DE DEUS

 

Deus falou de várias maneiras aos patriarcas. Algumas vezes, falou diretamente. Em outras, comunicou-se através de sonhos, como fez com Jacó e com José.  Outras vezes, Deus dirigiu a vida de José sem nada lhe falar, mas guiando-o por meio das circunstâncias, mesmo que fossem negativas. Não podemos padronizar o falar e o agir de Deus.  Talvez queiramos profecias, mas ele pode falar conosco de outros modos.  O mais importante era a presença de Deus na vida de José.  Onde quer ele estivesse, na casa de Jacó, no fundo da cisterna, na casa de Potifar, na prisão ou no palácio de Faraó, Deus estava com ele (Gn.39.2,3,21).  “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque tu estás comigo “ (Salmo 23.4).

 

 

GN.38.1-30 – JUDÁ E TAMAR – UMA TRAGÉDIA FAMILIAR.

 

O capítulo 38 se dedica a narrar fatos relacionados a Judá, filho de Jacó. Muitos erros e conseqüências se alternaram num ciclo vicioso. “Um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7). 

O texto começa dizendo que Judá desceu de entre seus irmãos. Muitas vezes em Gênesis, o verbo descer precede um erro ou pecado. Judá saiu da comunhão, como antes acontecera com Diná. Em seguida, tomou uma atitude individualista e errada ao se casar com uma mulher cananéia.  Temos então um exemplo de “jugo desigual”. Judá, um homem do povo escolhido por Deus, casou-se com uma mulher que pertencia a um povo idólatra e amaldiçoado.  Tal mistura trouxe várias conseqüências ruins, conforme podemos verificar no texto. Os filhos daquele casal tornaram-se homens maus. Dois deles, Er e Onã, foram mortos pelo Senhor. Tinham o mau exemplo do pai e a influência cananéia da mãe. Os erros relacionados ao casamento, ou às uniões extra-conjugais,  podem causar muitos danos ao caráter e à vida dos filhos.  

Os filhos não se perderiam apenas por causa do pecado dos pais, mas eles mesmos se mostraram maus, devido ao seu caráter e suas ações.

Er, filho de Judá, casou-se e morreu sem deixar descendência. Seu irmão, Onã, casou-se com a viúva, Tamar, mas morreu também sem deixar descendência. Então, Judá prometeu à mulher que o terceiro filho, Selá, seria dado a ela por marido, assim que tivesse idade para tal.  Contudo, o menino cresceu e a promessa não foi cumprida. Vemos outro erro de Judá.  Tamar  ficaria então sem marido e sem filhos. Isto, além de ser desonroso para a mulher sob o ponto de vista cultura da época, também poderia representar falta de sustento quando seu pai morresse.  Diante disso, Tamar disfarçou-se de prostituta cultual e teve relacionamento sexual com seu ex-sogro, Judá.  Esta foi uma das histórias mais vergonhosas da bíblia. Judá, que a esta altura, tinha ficado viúvo, se dispôs a ter relação com uma prostituta. A falta de sua esposa tornou-se oportunidade para o pecado, embora não fosse justificativa suficiente.  O diabo sempre aproveita nossas necessidades para nos oferecer algo que possa supri-las. Ao aceitarmos suas ofertas, estaremos pecando contra o Senhor, como aconteceu com Eva no Éden.

Judá foi tentado pelo aspecto sensual daquela mulher,  que tinha se disfarçado cobrindo o rosto.  O pecado é assim, tem uma aparência agradável e atraente. Contudo, o perigo está oculto e mais tarde se manifestará.  Judá pode ter imaginado que seu pecado não teria conseqüências. Ninguém estava vendo. Ele teria apenas uma relação sexual com aquela mulher e nunca mais a veria. Contudo,  cada passo em direção ao pecado vai comprometendo o homem e dificultando o seu retorno ao caminho direito. Judá foi como uma ave que caminha para o laço. O pecado não é gratuito.  Aquela mulher tinha um preço e, como Judá não tivesse como pagar, deixou alguns pertences como garantia até que lhe enviasse o pagamento. 

Tamar engravidou e usou aqueles objetos como meio de reconhecimento do pai da criança.  O pecado apresentará sua cobrança (38.16,25,26) ainda que, no presente, pareça gratuito ou até lucrativo.  O preço, que Judá imaginava ser um cabrito, era, de fato, a sua honra e o sustento da criança.

O erro de Judá teve também aspecto religioso. Tamar se disfarçou de prostituta cultual (38.21), ou seja uma mulher que participava de rituais idólatras. Mesmo assim, Judá não hesitou em se relacionar com ela, mesmo que isso representasse uma ofensa ao Senhor.   

Quando soube que sua nora estava grávida, Judá mandou rapidamente que ela fosse lançada na fogueira. Seu juízo sobre o pecado alheio era rápido e fulminante. Contudo, não se deu conta de que aquele pecado era também dele. Temos facilidade em condenar os outros quando pecam. A misericórdia e o perdão não vêm de imediato ao nosso coração, mas somos bastante compreensivos com os nossos próprios erros. “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. 

Da união entre Judá e Tamar nasceram Perez e Zerá. O mais incrível é que da descendência de Perez nasceu Jesus (Mt.1.3).  Vemos que Deus transforma maldição em bênção, mas isto não significa que devemos buscar a maldição, pois muitos a buscaram e foram destruídos por ela, pois não se arrependeram de seus pecados.

 

 

GN.39.1-23 – JOSÉ NA CASA DE POTIFAR.

 

 

Passando do capítulo 38 para o 39, percebemos um grande contraste entre o caráter de Judá e o de José.

Chegando ao Egito, José foi trabalhar como escravo na casa de Potifar, um oficial de Faraó.  Estando longe da casa de seu pai, e no meio de pessoas que não criam no verdadeiro Deus, José poderia “relaxar”, abrir mão de seus princípios morais,  e até se permitir na prática do pecado. Porém, vemos que aquele jovem era íntegro, não por estar sendo vigiado ou controlado por alguém. Ele tinha fé e experiência pessoal com Deus.   Sua situação e comportamento nos fazem lembrar também a história de Daniel, que foi levado cativo para a Babilônia e lá permaneceu íntegro e fiel ao Senhor. Outra semelhança é que ambos eram jovens e interpretaram sonhos.

O lugar e as condições de José não eram as melhores, mas Deus estava com ele (Gn.39.2,3,21,23). Isto é o mais importante. Não adianta ter riqueza, conforto e prestígio sem a presença de Deus.

José, um servo de Deus, era escravo de um homem ímpio.  Isto era uma aparente contradição.  Era de se esperar que o homem de Deus fosse sempre superior. Contudo, esta não era a realidade de José e isto era totalmente contrário aos seus sonhos.  Muitas vezes vemos os ímpios prosperando, mas não devemos nos perturbar com isso (Salmo 73). Continuemos no nosso caminho, de acordo com a vontade do Senhor. Precisamos ter paciência e esperar. Aqueles que julgam conforme a aparência poderiam tirar conclusões erradas sobre a vida de José. Poderiam dizer que ele estava em pecado ou que não conhecia Deus. Contudo, estariam errados. Dentro de alguns anos, José se tornaria superior a Potifar na corte egípcia. Deus tem um tempo apropriado para todas as coisas.

 

Está escrito que “o Senhor estava com José, e ele tornou-se próspero... na casa do seu senhor egípcio...” (Gn.39.2-3). A prosperidade de José era algo bastante estranho.  Como pode haver um escravo próspero? Mas José prosperou. Prosperidade não é sinônimo de riqueza como muitos acreditam. Ser próspero é ser bem sucedido naquilo que se faz. José trabalhava bem. Seu trabalho tinha excelente qualidade. Assim, seu senhor passou a confiar totalmente nele, colocando-o como mordomo sobre a sua casa.  Se queremos prosperar, precisamos trabalhar bem. Onde o cristão estiver ele precisa ser um exemplo. Se for um escravo, que seja o melhor escravo. Se for um mau escravo, nunca deixará de sê-lo. Logo aquele jovem se tornou um mordomo, responsável por tudo naquela casa.

José precisava passar aquele tempo na casa de Potifar. Ele estava sendo preparado para sua responsabilidade futura. Estava aprendendo a cultura do Egito, aprendendo a ser um líder e administrador. José não poderia chegar ao Egito e ir direto para o palácio. Precisava sentir na pele o que sentiam os pobres, escravos e prisioneiros. Assim, seria um governador mais sensível às necessidades do povo. Isto nos lembra que Cristo também desceu da sua glória e sentiu o sofrimento humano.

Sendo o homem de confiança de Potifar, José já não estava em situação de grande sofrimento. As coisas pareciam melhorar para ele.  O jovem usufruía de toda regalia na casa de seu senhor, mas essa liberdade tinha um limite: ele não poderia tocar na mulher de Potifar. Isto nos lembra a situação de Adão e Eva no jardim do Éden, onde tinham acesso a todas as árvores, exceto uma. O pecado acontece quando queremos exatamente aquilo que nos foi vedado por Deus.  Não foi o caso de José, porque ele não cobiçou sua senhora. Porém, o inimigo armou-lhe uma cilada. A mulher de Potifar quis adulterar com José, mas o rapaz fugiu (39.12).  Atualmente, um homem que foge de uma mulher é chamado de homossexual, mas José fugiu por ser um homem espiritual, um servo de Deus, que vivia de acordo com sólidas convicções que havia em seu coração.  Estando próximo dos 20 anos de idade, José já tinha necessidade sexual. E como já dissemos, no momento da necessidade o Diabo nos oferece algo para satisfazê-la.  José não caiu naquele laço, pois esperava pela esposa que o Senhor lhe daria.  José não admitiu deitar-se com ela nem estar com ela (39.10).  A integridade é abrangente. Uma pequena concessão poderia abrir caminho para uma seqüência de erros que levariam ao pecado. Irada com aquela atitude, a mulher de Potifar acusou José de tê-la molestado.  José foi envergonhado diante de todos e, como não houvesse testemunha que pudesse defendê-lo, foi lançado na prisão.

 

 

Com base no que vimos no capítulo 38, deduzimos que, se Judá estivesse no lugar de José, teria adulterado com a mulher de Potifar, teria filhos com ela e seria condenado à morte.  Portanto,  José foi usado por Deus porque possuía um caráter íntegro. Nenhum dos seus irmãos serviria para aquela missão.  

 

 

GN.40.1-23 – JOSÉ NA PRISÃO. A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS DO COPEIRO E DO PADEIRO.

 

José foi preso injustamente. Aliás, ele foi vítima de muitas injustiças em toda a sua história. O mais impressionante é que Deus não impediu que aquelas injustiças fossem cometidas.  Isto não significa que Deus seja injusto. Tudo aquilo fazia parte do caminho de José e, por meio daqueles fatos, Deus o conduziria ao governo do Egito. Todas aquelas pedras que lhe foram lançadas serviram para pavimentar sua estrada em direção ao poder.  O mesmo aconteceu na história de Jesus. Ninguém foi tão injustiçado quanto ele. Foi perseguido, acusado, odiado, preso, açoitado, crucificado e morto, mas tudo isso contribuiu para que a sua obra na terra fosse consumada de modo glorioso.

De escravo, José passou a prisioneiro. Parecia estar indo de mal a pior. Ele poderia revoltar-se, pensar que Deus o havia abandonado ou que Deus não existia. Podia se entregar ao pecado e, assim, perder tudo o que Deus tinha para ele.  Contudo, não blasfemou, não murmurou, não perdeu sua fé nem sua integridade.  José não tinha pleno conhecimento do plano de Deus, mas confiava plenamente em Deus e estava convicto do seu vínculo com ele (40.8; 41.16).

Onde ele chegava tornava-se líder. Até na prisão, José foi líder (39.5,22).  Se o servo de Deus está na prisão, ele deve ser um prisioneiro exemplar. José foi assim. Quem é fiel no pouco será fiel no muito (Lc.16.10). 

Entre os prisioneiros estavam o copeiro e o padeiro do rei. Ambos sonharam e seus sonhos foram interpretados por José.  É interessante observarmos que Deus falou com aqueles homens ímpios por meio de sonhos. Da mesma forma, falou a Faraó (41.25).  Deus ama a todos, quer que todos se salvem e, antes da salvação, deseja livrar as pessoas de males diversos. Algumas vezes isso não é possível pois a conseqüência do pecado deve cair sobre o pecador que não se arrepende.

 

TEMPO DE DEUS

 

José entendeu o destino do copeiro e do padeiro, mas não entendeu o seu próprio. Chegou até a pedir ajuda ao copeiro para que intercedesse por ele diante de Faraó (40.14).  Porém, não adianta tentar antecipar o tempo de Deus (Gn.41.1; Ec.3.11). José não seria útil para Faraó antes dos sonhos do rei que, por sua vez, ocorreriam em um tempo determinado: 7 anos antes da fome. José poderia ser livre, mas seria inútil.  O plano de Deus era que ele fosse da prisão para o palácio. Não podia se perder entre um e outro lugar.

José estava com 30 anos quando se apresentou a Faraó (41.46). Já havia passado 13 anos desde que tivera seus sonhos revelados. Antes, José não teria maturidade nem experiência suficiente para  grande responsabilidade que haveria de assumir no governo do Egito.

Podemos considerar  que aquele pedido de ajuda foi um erro de José. O livro de Gênesis relata erros e pecados de seus heróis. Todos os homens de Deus continuam sendo homens, embora sejam de Deus. São falhos. Não são perfeitos. Porém, o tipo de erro ou pecado que chegam a cometer podem desqualificá-los para certas funções no reino de Deus ou até mesmo excluí-los dele (Heb.12.14-17; Gal. 5.19-21). O maior problema não está simplesmente em um ato, embora os atos pecaminosos sejam condenáveis, mas numa opção de vida, nos traços do caráter. Em alguns casos, um ato já é suficiente para desqualificar uma pessoa. Por exemplo, se um homem de Deus caiu em adultério, não será útil para algumas missões, pois caiu em descrédito público.

José, por seu caráter ímpar,  foi usado por Deus de modo ímpar. 

 

 

 

GN.41.1-57 – JOSÉ INTERPRETA OS SONHOS DE FARAÓ E TORNA-SE GOVERNADOR DO EGITO.

 

Deus falou a Faraó para que o Egito se preparasse para enfrentar os sete anos de fome.  Deus está no controle da história e muitas vezes dirige a mão dos governantes, mesmo que não conheçam o Senhor (Is.45.1; Pv.21.1).  Ele o faz para o bem de muitos, principalmente dos justos.  Isto não significa que todos os atos dos governantes sejam dirigidos por Deus, mas, quando não são dirigidos, são permitidos.

Se Deus não falasse a Faraó, milhares de pessoas morreriam, mas creio que o mais importante era que a família de Jacó fosse preservada. Afinal, a promessa feita a Abraão precisava se cumprir e, por meio daquela família, haveria de nascer Jesus, o Salvador.

 

O Egito era politeísta. Contudo, sua multidão de deuses foi totalmente inútil quando Faraó precisou deles (41.8). Nenhum dos adivinhadores conseguiu interpretar seus sonhos. O texto nos mostra a insuficiência das religiões e das divindades egípcias.  O próprio Faraó era considerado uma divindade. O Deus de Israel foi exaltado pois deu os sonhos, deu a interpretação e sabedoria a José para resolver o problema da fome. Enfim, Deus se mostrou Senhor da história. Quantos, ainda hoje, buscam os falsos deuses, inclusive tentando resgatar o paganismo egípcio. Isto de nada lhes aproveitará como não aproveitou a Faraó.

 

Curiosidade : Gn.41.14 – José se barbeia antes de encontrar Faraó.

 

A SOLUÇÃO PARA OS SETE ANOS DE FOME

 

Haveria sete anos de fartura seguidos por sete anos de fome. José ensinou os egípcios a poupar. Ao que parece, os povos não tinham o hábito de guardar alimentos. Tudo o que produziam era consumido. Até entre os animais encontramos exemplos para uma vida sábia (Pv.30.24-25; Pv.6.6). As formigas guardam alimento para o inverno.

Em nossas vidas, temos tempos de abundância e tempos de escassez.  Aquele que não guarda poderá padecer necessidade. Há, porém, aqueles que sempre viveram na necessidade e nada lhes sobrou que pudesse ser guardado.

José mandou guardar 20% da produção dos sete anos de fartura.   Guardar tudo ou gastar tudo são duas atitudes que demonstram falta de sabedoria (Ec.4.7-8;  5,13,18,19). Precisamos buscar um ponto de equilíbrio. Os egípcios deveriam poupar 20% e usufruir dos 80% restantes.

Os 20% da produção, poupados por ordem de José, foram suficientes para o sustento do Egito nos sete anos de escassez e ainda sobrou para venderem aos povos vizinhos. Vemos então que, nos sete anos de fartura, eles gastaram 80%, sendo que 20% seriam suficientes. Nota-se então que o esbanjamento, o excesso e o desperdício eram práticas comuns no Egito.

 

 

JOSÉ – GOVERNADOR DO EGITO

 

 

Todos os sofrimentos de José faziam parte do caminho que o levariam ao governo do Egito.  Quando nasceu seu filho Efraim, José disse: “Deus me fez crescer na terra da minha aflição” (Gn.41.51-52).  Todos querem crescer, mas não suportam a aflição. Murmuram, blasfemam, fogem, abandonam o lugar determinado por Deus. Logo, não crescem.  Entre os filhos de Jacó, José foi o que mais sofreu. Em compensação, foi o mais usado por Deus.

Faraó, o rei do grande Egito, nomeou José como governador. Vemos aí um exemplo de delegação de autoridade.  Para fazer isso, o líder precisa ter visão ampla para identificar talentos nas outras pessoas. Precisa ter a humildade suficiente para reconhecer que não pode resolver tudo sozinho.  Precisa ser capaz de confiar em seus subordinados.  Delegar autoridade significa outorgar poder a um subordinado para agir em nome de seu superior, podendo tomar decisões e administrar recursos.

Aquele que foi investido de autoridade não pode se esquecer de que não é superior àquele que o nomeou. José tinha liberdade de ação até o limite determinado por Faraó.  Todo aquele que ocupa posição de autoridade precisa também ser submisso. José continuava submisso ao rei e este era o limite do seu poder.

Aqueles que desconsideram esse limite, acabam abusando da própria autoridade e cometendo erros que podem conduzi-los à ruína.

Tendo delegado tal autoridade, Faraó foi o primeiro a  respeitar as ações de José (Gn.41.55).  Aquele que nomeia alguém para uma função de liderança deve respeitar o nomeado, apoiando suas decisões, enquanto forem corretas, e até mesmo se sujeitando às diretrizes estabelecidas.  Faraó não entrou na área de ação de José, não tomou decisões no lugar dele, mas respeitou a autoridade que ele mesmo designou.

 

 

GN.42.1-38 – OS IRMÃOS DE JOSÉ DESCEM AO EGITO.

 

Aqueles que hoje nos desprezam poderão nos procurar amanhã para buscarem ajuda, ou nós, se desprezarmos alguém, poderemos ser humilhados diante da mesma pessoa. Foi o que aconteceu com os irmãos de José. Aqueles que o invejaram, odiaram e venderam, precisaram passar pela humilhação de buscarem o seu auxílio. 

José poderia destruí-los, mas usou de misericórdia. Tratou bem aqueles que o maltrataram. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber” (Rm.12.20).

 

 

GN.43.1-34 – A SEGUNDA VIAGEM DOS IRMÃOS DE JOSÉ AO EGITO.

 

Jacó ordenou que seus filhos levassem vários produtos da terra para José: bálsamo, mel, arômatas, mirra, nozes de pistácia e amêndoas.   O que poderiam oferecer a José,  o homem poderoso do Egito, que detinha a abundância de alimentos?

Reuniram tudo o que puderam afim de agradá-lo e convencê-lo de que tinham boas intenções. 

Os irmãos de José estavam dominados pelo medo, pois se sentiram culpados e indefesos diante dele (Gn.43.23).

José os colocou à prova para saber se eles estavam arrependidos, se falavam a verdade e se eram íntegros.  Eles não mentiram a José nem uma vez. Se mentissem, José saberia.

Em suas táticas em relação aos irmãos, José deu muitas ordens estranhas ao seus criados. Ninguém entendeu nem questionou. Afinal, a autoridade de José deveria ser respeitada e suas ordens obedecidas. 

 

 

GN.44.1-34 – A TAÇA DE JOSÉ NO SACO DE BENJAMIM.

 

A relação dos irmãos de José com ele se parece com nossa relação com Jesus.  Nós o buscamos por necessidade depois de termos feito tantas coisas contra ele, tantos pecados, tantos erros.  Quantas vezes o negamos, o vendemos, o trocamos por outras coisas.  Apesar de tudo ele nos recebe.  Tendo todo poder para nos destruir, ele nos dá o alimento a cada dia.  Poderia nos odiar, mas ele nos ama.

Saímos da sua presença, mas ele nos dá motivos para retornar.  Reconhecemos nossos erros e aguardamos o castigo, mas, diante do nosso arrependimento ele nos perdoa. Os irmãos de José mereciam ser castigados, mas foram perdoados  e receberam o que não mereciam.

Não o conhecemos muito bem, mas ele nos conhece profundamente.  Trazemos pouco para oferecer-lhe, mas ele nos dá a sua abundância, nos recebe em sua casa e nos prepara uma mesa farta (Gn.43.16; Salmo 23.5).  Nossos pecados o entregaram à morte, mas ele nos dá a vida.

 

 

GN.45.1-28 – JOSÉ SE REVELA AOS SEUS IRMÃOS.

 

A essa altura da narrativa, os irmãos de José tinham conceitos equivocados a respeito dele.  Pensavam que ele era um egípcio, que não entendia seu idioma e que lhes tomaria como escravos.  Enquanto falavam entre si, José os entendia perfeitamente. Quantas vezes pensamos que Jesus está distante e que não nos vê ou não nos compreende, mas ele está perto, conhece até os nossos pensamentos e tem propósitos maravilhosos para nós.  Afinal, somos filhos do mesmo Pai e unidos pelo mesmo sangue, o próprio sangue de Jesus.

José poderia ter se revelado aos seus irmãos no seu primeiro encontro. Porém, todas as dificuldades colocadas por ele serviram para conduzi-los à reflexão, ao reconhecimento dos seus pecados e ao arrependimento (Gn.42.21; 44.16).  Da mesma forma, o Senhor permite que passemos por aflições para reconhecermos os nossos pecados e buscarmos o seu perdão.

Quando os seus propósitos foram alcançados, José se revelou aos seus irmãos.  Chegará o dia quando Jesus se revelará a nós, em sua segunda vinda.  Todos os nossos conceitos errados e temores (43.23) se desfarão como a névoa.

 

GN.46.1-34 – VIAGEM DE JACÓ AO EGITO.

GN.47.1-12 – JACÓ E SUA FAMÍLIA SE ESTABELECEM NO EGITO.

GN.47.13-31- JOSÉ E A VENDA DE ALIMENTOS.

GN.48.1-22 – JACÓ ADOECE E ABENÇOA JOSÉ E SEUS FILHOS.

GN.49.1-33 – JACÓ ABENÇOA SEUS FILHOS E MORRE.

GN.50.1-14 – O SEPULTAMENTO DE JACÓ.

GN.50.15-26 – JOSÉ ANIMA SEUS IRMÃOS E MORRE

 

 

Anísio Renato de Andrade

Bacharel em Teologia

 

BIBLIOGRAFIA

MORRIS, Henry M., O Enigma das Origens – Ed.Origem

BOYER, Orlando S., Pequena Enciclopédia Bíblica – Ed. Vida.

NASCIMENTO, José Rego, Renovação Espiritual – Ed.

 

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